Pesquisa revelou que brasileiros não sabem identificar acidentes vasculares cerebrais.
Reconhecimento dos sintomas é essencial para o pronto atendimento.

Luis Fernando Correia
Especial para o G1

Uma pesquisa brasileira mostrou que a população não conhece os sintomas dos acidentes vasculares cerebrais. Vamos aproveitar e lembrar os sinais de alerta da ocorrência desse grave problema neurológico.

Luis Fernando Correia é médico e apresentador do “Saúde em Foco”, da CBN; veja o site

Os acidentes vasculares cerebrais ou derrames, como são conhecidos pelos leigos, podem ser de dois tipos: isquêmicos, quando falta sangue ao cérebro, ou hemorrágicos, quando acontece um sangramento dentro do cérebro.

Nos acidentes hemorrágicos, um vaso sanguíneo, artéria ou veia se rompe e o sangue se espalha. Um bom exemplo de como isso pode ocorrer é a ruptura de um aneurisma.
Já os acidentes isquêmicos acontecem quando uma artéria fica obstruída, impedindo o fluxo de sangue normal para as células do cérebro. Dependendo da localização da artéria obstruída uma área maior ou menor do cérebro ficará sem receber oxigênio e nutrientes.

Como reconhecer um AVC

Os acidentes vasculares cerebrais são emergências médicas, e o tempo é o fator crucial para permitir um atendimento adequado e melhores chances de recuperação, além de menos seqüelas posteriores.

Portanto, é importante lembrar que qualquer pessoa que apresente uma alteração, que possa significar uma mudança do funcionamento cerebral, deve ser levada a um serviço de emergência para avaliação.

Quais os sinais que devem ser observados?
– Perda súbita da força ou dos movimentos em um dos membros ou face, geralmente atingindo um dos lados do corpo.
– Perda da visão de um dos olhos de forma súbita.
– Dificuldade de equilíbrio do corpo para caminhar ou mesmo se manter de pé.
– Dor de cabeça súbita e muito intensa inesperada.

Uma observação importante: todos esses sinais podem ocorrer de forma fugaz com recuperação espontânea, mas mesmo assim a avaliação especializada é indispensável.

A prevenção, como sempre, é a melhor opção. Para isso, é preciso conhecer os principais fatores de risco para a ocorrência de um AVC.

A hipertensão arterial é a principal causa associada aos derrames. Os hipertensos, se não tratados adequadamente, têm de quatro a seis vezes mais chances de sofrer um AVC.

Estudos científicos mostram que, apesar do diagnóstico de hipertensão ser feito com freqüência, o tratamento não é seguido na maioria dos casos.

Além da hipertensão, outros fatores contribuem para tornar o Acidente Vascular Cerebral uma epidemia real em nossa sociedade. A fibrilação atrial, uma alteração do ritmo do coração, aumenta o risco de derrames. O diabetes e o tabagismo também são vilões para a ocorrência de um AVC.

As opções de tratamento

O cérebro humano, quando atingido por um acidente vascular, pode ser salvo se receber tratamento adequado e em tempo. Os acidentes isquêmicos são os mais freqüentes, respondendo por mais de 85% dos “derrames” — aqueles causados quando uma artéria fica obstruída por um coágulo, impedindo o sangue de alimentar as células.

Existe um tratamento para desobstruir as artérias: trata-se da injeção de uma substância capaz de dissolver esses coágulos -– os trombolíticos. Ela atua sobre o coágulo e pode restaurar o fluxo natural de sangue. Infelizmente, poucos pacientes recebem esse tratamento.

Mesmo nos Estados Unidos, segundo um trabalho realizado pela Cleveland Clinic de Ohio, somente 2% das vítimas de acidentes vasculares cerebrais recebem o tratamento com trombolíticos.

A principal causa para essa pequena utilização está no fato de que o tratamento só é efetivo se for administrado nas primeiras três horas após o início dos sintomas. Além dessa razão, existem contra-indicações ao método que devem ser respeitadas pela equipe que está atendendo à vítima do derrame.

Um paciente tratado a tempo pode ficar sem déficits neurológicos ou ter as conseqüências do problema bastante diminuídas.

O que deve ser feito

É muito importante prevenir a ocorrência dos AVC’s, através do controle dos fatores de risco. Além disso, é fundamental que a população reconheça os sintomas dos derrames a tempo e que o tratamento esteja disponível para todos que precisarem.

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