Na busca do autoconhecimento, por Djenal Conrado de Matos
Publicado por Caetano Barata em 18/03/2009
Djenal Conrado de Matos, é psicanalista, teólogo, e pós-graduado em teoria psicanalítica, Diretor Executivo do CEPA – Círculo de Estudo Pensamento e Ação – Movimento Educativo Cultural. Telefones para contato: (71) 3495-1694 / 8103-9431 ou psicanaliseconrado@hotmail.com NA BUSCA DO AUTOCONHECIMENTO
A partir da investigação analítica do psicanalista Suíço Carl Gustav Jung em 1957 na obra “Presente e Futuro”, abordando sobre autoconhecimento, o mesmo apontou para uma confusão que o individuo faz a respeito da personalidade consciente do eu. Todos nós achamos e acreditamos que conhecer a si mesmo é através do qual o meio social nos orienta, considerando os conteúdos da sociedade e desconhecendo respectivamente os conteúdos do inconsciente. Jung esclarece que o homem mede seu autoconhecimento por meio daquilo que o social sabe normalmente a seu respeito, e não a partir do fato psíquico real, que na maior parte das vezes, lhe é desconhecido. Sendo assim, o homem recorre a descobrimentos científicos se apoiando nos mesmos como se esses conhecimentos por si só existirem, formando a consciência, que se dizem conscientes, unicamente seguros. Ao mesmo tempo desconsiderando o estranho dentro de si, o que ainda não sabe, e que também existe. Portanto, Jung disse que o inconsciente é um campo amplo e vasto, não alcançado pela crítica e pela consciência, acha-se aberto e desprotegido para receber todas as influências e infecções psíquicas possíveis. Com base nesse ponto de vista de Jung, julga-se que o inconsciente fica vulnerável, a mercê do mundo externo e pelas contaminações exteriores. E quando nos deparamos com situações de conflitos psíquicos, não sabemos como resolver, não sabemos de onde vem o mal que nos atinge a alma. Não somos capazes de controlar e ter equilíbrio na hora do desespero emocional, porque, é claro, a teoria do conhecimento cientifico é limitada para solucionar problemas do interior. Pensa-se assim, uma teoria que não ajuda a remover a angústia, a dor psíquica, não deve-se considerar como “autoconhecimento”. O verdadeiro valor do autoconhecimento está dentro de nós e não se separa de nós, ao contrário, trata do conhecimento das questões individuais.
Entretanto, Jung tentou nos orientar a partir do seu conceito de individuação, que quanto mais uma teoria pretende validade universal, menor a sua possibilidade de aplicação a uma conjuntura de fatos individuais. Para Jung o que se poderia discutir seria as possibilidades de uma teoria capaz de construir um fio condutor para o autoconhecimento.
Dessa forma, a melhor esperança do homem encontrar a felicidade adequada a sua vida, não seria pela busca de uma razão pura e absoluta, mas levando em conta uma aproximação equilibrada com aquilo que é exterior, porem acima de tudo se aproximar a aquilo que é espiritual e divino. Assim podemos classificar que essa felicidade não é absoluta, e sim modesta. A psicanálise, por exemplo, acredita-se que não seja capaz de oferecer ao sujeito a perfeição, todavia a melhora, a compreensão de si mesmo, uma varredura do inconsciente, um autoconhecimento.
Jung tratou do assunto referente a compreensão de si mesmo se baseando em um homem que possa abdicar de todo conhecimento científico, para se tornar possível um questionamento novo e livre de preconceitos, ou seja, um homem com a tarefa da compreensão com a mente desembaraçada e livre. Um homem se conhecendo como um todo.
Para a construção do autoconhecimento o que prevalece é a busca pelo estranho, o novo. Não adiantará questionar a repetição compulsiva, em um discurso que não dar lugar a novas idéias e até então desconhecidas. Atingir o estranho, é uma atitude interior para se deparar com o sintoma, com o desconhecido, um suposto – saber – o sintoma cura, quando é revivido e removido. O sintoma é a resposta que tanto o sujeito procura para aliviar a sua dor psíquica. Contudo para Jung o ser humano teria que abandonar todos os pressupostos teóricos para conquistar a compreensão e o conhecimento de si mesmo. Caberia então a todo sujeito, excluir qualquer censura social da sua consciência. Sendo até mesmo capaz de passar por cima do conhecimento científico. Porém, Jung concorda com a presença das duas partes, por um lado, o conhecimento e, de outro a compreensão. Ambos acompanhados por uma via dupla de pensamento: fazer uma coisa sem perder a outra de vista. Certo que, com a sua compreensão e singularidade, o que está dentro de si é único, e nobre e não perde seu valor interior e de individualidade. Enquanto o que é material se deteriora e perde seu valor. Outrossim, para o ser humano cuidar de si e do outro, ele deve está com seu eu fortalecido pelo espírito aproximado ao que é divino. Sem essa meta de autotransformação, não haverá autoconhecimento. O autoconhecimento é atitude de pureza e Santa. O que está fora de si pode lhe cegar, o que está dentro de si como espiritual, lhe dar a melhor direção – melhor visão.
Seguindo ao pé da letra o conceito de autoconhecimento, já vimos que não dar para tê-lo sem acreditar no espírito. Se pela psicanálise – diria o inconsciente – lá está o espírito e mergulhamos numa imensa profundidade para buscar algo tão simples como o espírito, porém grande de sabedoria, criatividade, autoconfiança, liberdade e amor. Não dar para encontrar a felicidade de outra maneira, a não ser, modesta. A felicidade em troca de bênçãos para adquirir ouro, prata e poder, me parece falha e duvidosa. Porque não há troca com o espírito, e sim homem com homem. É uma compensação externa para agradar alguém e receber em troca, esperando retribuição. Se por ventura o individuo for traído, cairá no fogo, igual como ocorrerá com os dois metais valiosos nas mãos dos ourives, que são derretidos – essa felicidade, portanto, nada mais é um jogo de submissão e de interesse. A felicidade está no ato de doar, de dar, de fazer caridade, de dar amor, sem exigir retribuição ou qualquer compensação. A felicidade está no ato de amar e ser livre. Referências Bibliográficas: Jung, Carl Gustav. “Presente e Futuro. Vozes: Petrópolis, 1982”.






















