Articulistas
A Nova Mulher
O ser humano é o único animal capaz de fazer escolhas conscientes, em que assume responsabilidade por seus atos. Livre arbítrio, oportunidades de escolha, que o faz crescer, desenvolver, vencer etapas, mudar e aprender.
É muito difícil ponderar sobre o desenvolvimento dos indivíduos sem levar em consideração as diferenças sociais e de gênero. A própria história da sociedade responde esta questão, quando mostra a construção da desigualdade entre os sexos ao longo dos séculos. E essa superação repercute no desenvolvimento psicossocial das mulheres com muito mais intensidade.
Cada vez mais a mulher é compelida a responder aos desafios com muito mais eficiência e determinação, moldando uma nova perspectiva, multifacetada nos seus afazeres, no escritório, na fábrica, na lavoura, em casa, como mãe e como esposa, muitas vezes, assumindo sozinha a responsabilidade de seu lar.
As mulheres representam 51% do eleitorado no Brasil. A cada dia alcançam novos patamares de realização participando do parlamento, judiciário, empresas e governos. Entretanto, sua representação no poder político, apesar das iniciativas, do ponto de vista legal, ainda é pouco significativa, não passa de 10% em média. Historicamente, é possível perceber que a mulher sempre esteve presente nas empresas, porém, ocupava lugares inferiores, menos qualificados, sem acesso ao poder, uma vez que seus papéis de esposa e mãe eram os únicos legitimados pela sociedade.
Segundo a Fipecafi (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras) nenhuma mulher ocupa a presidência das cem maiores empresas do Brasil. Já nos EUA, entre as cem maiores companhias pelo ranking da revista “Fortune”, há seis mulheres na presidência.
Ressalto que política não é apenas candidatura e eleição, como também, a participação nas diversas esferas da comunidade: trabalho social, associação de bairros, ações comunitárias, entre outros. Independente da escolha que faça no espaço político, é importante não ter medo de ultrapassar os limites, os obstáculos que são impostos e, ter em mente sempre que representa ideais de melhoria para um coletivo.
Séculos de opressão cultural não desaparecem da noite para o dia. O processo exige mudanças profundas nos costumes, com a participação da mulher na apropriação de sua subjetividade, na educação social e política dos indivíduos, para que homens e mulheres possam conviver em harmonia, estabelecendo formas mais democráticas e equilibradas de exercício do poder.
Estatísticas demonstram que as mulheres no poder procuram eliminar as desigualdades, incluir as pessoas socialmente, romper as relações de opressão, preservar a natureza, pensando no futuro das gerações. Sem falar nas características marcantes como intuição, flexibilidade e sensibilidade e solidariedade.
Estamos vivendo um momento extraordinário, em que uma mulher, competente, inteligente, verdadeira, preocupada com as questões ambientais, ético/raciais, gênero, sociais, educacionais e econômicas, Marina Silva, que tem uma história de vida fantástica, se coloca à disposição para representar cada uma de nós.
Queremos e buscamos uma concepção de mundo mais fraterno, mais solidário, uma comunidade global sustentável, sem preconceitos. Portanto, Mulheres, vamos ser protagonistas na construção de um novo mundo, onde a eqüidade e a inclusão sejam ações concretas e não apenas propostas. Deixemos as amarras que nos prendem ao nosso mundo, cooperando, participando e atuando neste momento fantástico, que irradiará esperança a muitos corações e mentes, através de uma política alicerçada em princípios éticos e morais.
A sustentabilidade da vida humana perpassa por mais justiça social e oportunidades, mais equilíbrio entre direitos e deveres. Qual a nossa responsabilidade e participação nas mudanças de paradigmas para construirmos uma sociedade mais igualitária e humana? Como diz o cantor e poeta Guilherme Arantes: “Amanhã, será um lindo dia, da mais louca alegria, que se possa imaginar!” “Amanhã! A luminosidade, alheia a qualquer vontade, há de imperar!”
Porque chegou o momento da ética sobrepor a corrupção. Respeitar a Terra e a Vida em toda sua diversidade. Proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos do nosso planeta. “Amanhã! Está toda a esperança, por menor que pareça”, “Mesmo que uns não queiram, amanhã será de outros que esperam.”
Por mais que as pessoas nao acreditem, este é o momento de mudanças de valores e modos de vida. E nós, as “Novas Mulheres”, temos um papel fundamental nesta mudança! Paz e Luz! www.rosebassuma.com.br Artista plástica, psicopedagoga, casada com o Deputado Federal Luiz Bassuma e mãe de três filhos. Desde 1989 milita na Creche Escola que ajudou a fundar, a Creche Escola Allan Kardec (CEAK), obra filantrópica que até hoje, no bairro Nordeste de Amaralina, educa em tempo integral 140 crianças carentes, recebendo anualmente, o importante Certificado Internacional de Qualidade Total ISO 9001, fornecido pelo BVQI. Esta é mais uma colunista de nosso Blog. Viva a Vida!
Acredito que a base de um mundo melhor seja viver numa sociedade alicerçada na ética, na paz, na justiça e na verdade.
A sociedade clama por ética, não violência, consciência ambiental e paz! No entanto, enquanto não investirmos de fato em educação pública de qualidade, não poderemos ter uma plenitude cidadã, nem construir uma conduta reflexiva e transformadora da nossa política. Como disse nosso grande educador Paulo Freire: “Se a educação sozinha não pode transformar a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda”.
Vivemos ainda numa sociedade patriarcal, preconceituosa, a própria história da sociedade responde esta questão, quando mostra a construção da desigualdade entre os sexos ao longo dos séculos. Mas esse modelo cultural que herdamos está sendo desconstruído a cada dia.
Minha atuação nos movimentos em defesa da vida e da educação pública de qualidade conduziram a candidatar-me ao exercício de um mandato eletivo de vereadores, em salvador, nas eleições de 2008, tendo uma votação de 4.800 votos, pelo PT, consciente da responsabilidade em participar da política, voltada para a valorização e desenvolvimento do ser humano.
Penso que seja fundamental criar políticas públicas direcionadas para a mulher em diversos setores: família, trabalho, saúde, educação, cultura e arte. As mulheres cada vez mais buscam forças para transformar a condição de desigualdade de oportunidades, pois vivenciamos ainda grande exclusão de gênero, classe e raça.
As mulheres estão preparadas para assumir o seu papel na política cada dia mais. Conquistamos a cota de 30% de vagas nas eleições para o legislativo, uma importante vitória. Hoje as mulheres são maioria nos movimentos sociais, tendo visão do todo, dos problemas da sociedade e do país.
Acredito que o aumento da representatividade feminina no poder seria positivo também para nossa nação. As mulheres procuram eliminar as desigualdades, incluir as pessoas socialmente, romper as relações de opressão, preservar a natureza, agir com mais solidariedade, seriedade e ética. Muitas se destacam como intelectuais, sindicalistas, trabalhadoras rurais e urbanas, líderes de movimentos sociais, dirigentes de empresas, chefes de família, enfim, mulheres que marcam uma presença ativa e competente na vida da sociedade e que fazem a diferença.
* Rose Bassuma LOU SALOMÉ, MUSA DA MODERNIDADE
Djenal Conrado de Matos, Psicanalista, teólogo, pós-graduado em teoria psicanalítica. Diretor Executivo do CEPA Círculo de Estudo, Pensamento e Ação. ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL A TARDE/CADERNO CULTURAL
Se pudermos imaginar um conhecimento total da vida da psicanalista Lou Andreas-Salomé e interpretá-la acerca da luta pela independência das mulheres, diremos que ela foi uma delas pelo seu modo de viver, começando pelo seu relacionamento familiar, amoroso, de amizade e profissional.
Lou, mulher bonita e inspiradora de filosofo(s) e poeta(s), como Rée, Rilke e Nietzsche, nasceu em São Petersburgo a 12 de fevereiro de 1861, no centro de uma família religiosa (protestante). Por coincidência seu nascimento aconteceu em meio a um acontecimento importante na história da Rússia moderna: a liberdade dos servos, que provocou grande alegria. Depois de longos anos de luta, os camponeses russos tinham finalmente rompido o jugo da escravidão. Lou tinha nascido sob a estrela da liberdade que despontava.
Mas, me parece que essa estrela não só iluminou os servos, mas também a Lou durante toda sua vida (1861-1937), Salomé, foi a primeira mulher moderna da sua época. Seus sentimentos e conversas com o filósofo Nietzsche e Rilke anteciparam a posição filosófica do existencialismo.
E foi essa maneira de agir, que ela, por seu trabalho com Freud, se tornou psicanalista. Foi uma mulher heroína – merecedora de um solene ato heróico, no que esse ato tenha de mais positivo. As mulheres, ainda hoje sofrem da falta de identificação com uma figura feminina heróica – são vítimas do tabu paternalista que ainda defende o homem como um ser forte, valente, corajoso, criativo e ambicioso.
Apesar que algumas mulheres atualmente rompem com esse modelo patriarcal e se lançam ao desafio da modernidade e resgatam o verdadeiro valor da auto-estima, a sua identidade.
Lou, mulher fascinante, independente e auto-reflexiva, em todo momento de sua vida foi arrodeada de admiradores e apaixonados. Seu casamento com o poliglota e professor de língua estrangeira Friedrich Carl Andreas foi logo rompido, porém nunca oficializaram o divórcio. Segundo o seu Biógrafo M. F. Peters, Lou encontrava em Andreas mais a figura de um pai do que de um marido, fato este emocional, e nunca praticara relação sexual com ele.
Mesmo assim, em condições assexuadas, pelo desejo extremo de se manter uma pessoa livre, ela não deixou de ser amada por outros homens. A começar pelo filósofo Rée, que era atencioso e apaixonado por ela. Eles passaram um tempo morando juntos em um apartamento em 1883, em Berlim. Mesmo vivendo em intimidade, eles não eram amantes – ela o tinha como um irmão. Enquanto Nietzsche, já também apaixonado, na Itália, consumia seu coração na solidão.
Antes de falar sobre seu relacionamento com Nietzsche, gostaria de destacar primeiramente a sua longa amizade e relacionamento com o poeta Rilke.
Nascido em Praga, capital da Boêmia Rainer Maria Rilke, quando conhecera Lou Andreas-Salomé, tinha apenas 22 anos de idade e era ainda um poeta desconhecido, com planos de continuar seus estudos na universidade de Munique. Escrevia versos, peças, contos em prosa, resenhas de livros, dirigia uma revista literária e pretendia formar uma “sociedade de verdadeiros escritores modernos” – ele era ainda conhecido pelo prenome “René”.
Quando Lou o conheceu em casa de Wassermann, a 12 de maio de 1897, ele estava ainda bem longe do grande poeta que viria a ser. Ao conhecer Lou, logo resolveu escrever pela primeira vez, dizendo que teria o privilégio de passar “hora crepuscular” ao lado dela. Escrevia sempre para ela, inclusive cartas anônimas descrevendo sentimentos românticos. Quando ela as examinou, sorriu e percebeu que o jovem poeta a adorava de longe.
Rilke não só a tinha como um grande amor, mas como uma amiga e mestra. Junto a ela, ele passou momentos de satisfação criadora. Pela primeira vez em sua vida experimentava um sentimento de plenitude, de realidade, que lhe era proporcionado pela presença de Lou. Em seus braços, sentia-se confiante e feliz. Ela era seu amor e, mais do que seu amor, era a própria vida, presente e futura. Ele dizia, “Um dia ela será a mãe dos meus filhos”, chegando a escrever um belíssimo poema: “Quando tivermos doces e belos filhos,
Para não se estender muito neste artigo, o que tomei conhecimento é que Rilke levara uma amizade longa e apaixonante por Lou, mas a liberdade dela um dia cansou da plenitude de amor do poeta, e ela mesma deu um término na relação, como fez com outros, permanecendo grandes amigos.
Depois da separação de Lou, Rilke procurou encontrar consolo em outra pessoa, Clara Westhoff, relação que logo fracassou. O que se sabe é que Rilke era muito dependente de Lou, não só dos seus conselhos, como também do seu amor.
Em 1926, enquanto ele morria num sanatório da Suíça, suplicava ainda aos seus médicos que pedissem conselhos a Lou. Ele dizia “Lou sabe tudo, conhece sem dúvida um remédio para minha dor”. Assim ele falava antes de morrer.
Em 1882, já com 38 anos aposentado como professor universitário por causa de um sintoma incurável, o filósofo Nietzsche procura o seu amigo Rée para pedir ajuda, em virtude de sua vida solitária. Por meio da influência de Rée, conheceu Lou Andreas Salomé. Logo, se encanta com a beleza da mulher, seu poder dominador, e se apaixona.
A relação amorosa de Nietzsche com Lou foi bastante desastrosa, até mesmo pela razão de o filósofo ser um homem doente e depressivo. Durante seu enamoramento com Lou, foram vários encontros que, para a própria Lou, no seu íntimo, não passavam de momentos de estudos e convívio intelectual. Para ela, Nietzsche era um mestre, mas para o filósofo, era paixão de verdade.
A situação chegara a tal ponto que a irmã do filósofo Elizabeth Nietszche se preocupava bastante e tentou promover um movimento perante as autoridades prussianas para deportar Lou Andreas-Salomé para seu país de origem, a Rússia, deixando de infernizar a vida emocional do irmão, que sofria de uma angústia irresistível pelo amor a Lou. Diz o biografo de Lou que o nascimento de Zaratustra, Nietzsche associou a Lou e, ainda: ”se refletirmos sobre a grandiosa visão de Nietzsche do super-homem (Zaratustra), e se lembrarmos a vida miserável do visionário (era pobre, doente e semilouco de solidão e desencanto), compreenderemos que o super-homem é tudo aquilo que Nietzsche não foi. É a projeção violenta de uma inteligência brilhante, torturada além de qualquer possibilidade de resistência, um protesto desafiado contra o seu destino. É Nietzsche do inverso. Se não nos esquecermos disso, será mais fácil compreender o papel de Lou na criação desse livro surpreendente”.
“A águia e a serpente são os animais de Zaratustra”, Arguta como uma águia e corajosa como um leão”, dissera Nietzsche a Lou. Lou, porém, a traíra. Eva e a serpente traíram Adão. Zaratustra, o porta-voz do novo Adão, conseguiria a colaboração da serpente, o animal mais inteligente que existe. A traição de Lou provocara a insônia. Zaratustra ouvira falar de um sábio que conhecia muitas coisas sobre o sono. “Felizes os que vivem perto desse sábio. Um sono assim é contagioso”. Nietzsche chega a reconhecer que escreveu Zaratustra inspirado nela.
As comparações feitas pelo o biografo de Lou podem ter servido como fontes inspiradoras de Nietzsche em momento de desespero emocional. Por coincidência, ele escrevia Zaratustra e se sentia abandonado por Lou. Sentimento frustrante que ocorreu com os outros dois.
A influência de Lou com a psicanálise foi o que lhe proporcionou forte apego profissional. Ao conhecer Freud, se analisou e se formou em psicanálise, abrindo consultório para a prática psicanalítica. Dedicação esta que durou até o fim de sua vida. Sigmund Freud a chamava de “poeta da psicanálise”.
Lou Salomé morreu em 05 de janeiro de 1937, apenas acompanhada de dois amigos que a tinham como mestre: Josef Konig e Ernst Pfeiffer. Sua urna com as cinzas foi depositada no túmulo de seu marido,o professor universitário e orientalista alemão Friedrich C. Andreas, no cemitério municipal de Gottingen. Nenhuma placa comemorativa marca o lugar. Numa ironia final do destino, Lou ficou ligada a Andreas, seu marido, mesmo na morte. Djenal Conrado de Matos, é psicanalista, teólogo, e pós-graduado em teoria psicanalítica, Diretor Executivo do CEPA – Círculo de Estudo Pensamento e Ação – Movimento Educativo Cultural. Telefones para contato: (71) 3495-1694 / 8103-9431 ou psicanaliseconrado@hotmail.com NA BUSCA DO AUTOCONHECIMENTO
A partir da investigação analítica do psicanalista Suíço Carl Gustav Jung em 1957 na obra “Presente e Futuro”, abordando sobre autoconhecimento, o mesmo apontou para uma confusão que o individuo faz a respeito da personalidade consciente do eu. Todos nós achamos e acreditamos que conhecer a si mesmo é através do qual o meio social nos orienta, considerando os conteúdos da sociedade e desconhecendo respectivamente os conteúdos do inconsciente. Jung esclarece que o homem mede seu autoconhecimento por meio daquilo que o social sabe normalmente a seu respeito, e não a partir do fato psíquico real, que na maior parte das vezes, lhe é desconhecido. Sendo assim, o homem recorre a descobrimentos científicos se apoiando nos mesmos como se esses conhecimentos por si só existirem, formando a consciência, que se dizem conscientes, unicamente seguros. Ao mesmo tempo desconsiderando o estranho dentro de si, o que ainda não sabe, e que também existe. Portanto, Jung disse que o inconsciente é um campo amplo e vasto, não alcançado pela crítica e pela consciência, acha-se aberto e desprotegido para receber todas as influências e infecções psíquicas possíveis. Com base nesse ponto de vista de Jung, julga-se que o inconsciente fica vulnerável, a mercê do mundo externo e pelas contaminações exteriores. E quando nos deparamos com situações de conflitos psíquicos, não sabemos como resolver, não sabemos de onde vem o mal que nos atinge a alma. Não somos capazes de controlar e ter equilíbrio na hora do desespero emocional, porque, é claro, a teoria do conhecimento cientifico é limitada para solucionar problemas do interior. Pensa-se assim, uma teoria que não ajuda a remover a angústia, a dor psíquica, não deve-se considerar como “autoconhecimento”. O verdadeiro valor do autoconhecimento está dentro de nós e não se separa de nós, ao contrário, trata do conhecimento das questões individuais. Entretanto, Jung tentou nos orientar a partir do seu conceito de individuação, que quanto mais uma teoria pretende validade universal, menor a sua possibilidade de aplicação a uma conjuntura de fatos individuais. Para Jung o que se poderia discutir seria as possibilidades de uma teoria capaz de construir um fio condutor para o autoconhecimento. Dessa forma, a melhor esperança do homem encontrar a felicidade adequada a sua vida, não seria pela busca de uma razão pura e absoluta, mas levando em conta uma aproximação equilibrada com aquilo que é exterior, porem acima de tudo se aproximar a aquilo que é espiritual e divino. Assim podemos classificar que essa felicidade não é absoluta, e sim modesta. A psicanálise, por exemplo, acredita-se que não seja capaz de oferecer ao sujeito a perfeição, todavia a melhora, a compreensão de si mesmo, uma varredura do inconsciente, um autoconhecimento. Jung tratou do assunto referente a compreensão de si mesmo se baseando em um homem que possa abdicar de todo conhecimento científico, para se tornar possível um questionamento novo e livre de preconceitos, ou seja, um homem com a tarefa da compreensão com a mente desembaraçada e livre. Um homem se conhecendo como um todo. Para a construção do autoconhecimento o que prevalece é a busca pelo estranho, o novo. Não adiantará questionar a repetição compulsiva, em um discurso que não dar lugar a novas idéias e até então desconhecidas. Atingir o estranho, é uma atitude interior para se deparar com o sintoma, com o desconhecido, um suposto – saber – o sintoma cura, quando é revivido e removido. O sintoma é a resposta que tanto o sujeito procura para aliviar a sua dor psíquica. Contudo para Jung o ser humano teria que abandonar todos os pressupostos teóricos para conquistar a compreensão e o conhecimento de si mesmo. Caberia então a todo sujeito, excluir qualquer censura social da sua consciência. Sendo até mesmo capaz de passar por cima do conhecimento científico. Porém, Jung concorda com a presença das duas partes, por um lado, o conhecimento e, de outro a compreensão. Ambos acompanhados por uma via dupla de pensamento: fazer uma coisa sem perder a outra de vista. Certo que, com a sua compreensão e singularidade, o que está dentro de si é único, e nobre e não perde seu valor interior e de individualidade. Enquanto o que é material se deteriora e perde seu valor. Outrossim, para o ser humano cuidar de si e do outro, ele deve está com seu eu fortalecido pelo espírito aproximado ao que é divino. Sem essa meta de autotransformação, não haverá autoconhecimento. O autoconhecimento é atitude de pureza e Santa. O que está fora de si pode lhe cegar, o que está dentro de si como espiritual, lhe dar a melhor direção – melhor visão. Seguindo ao pé da letra o conceito de autoconhecimento, já vimos que não dar para tê-lo sem acreditar no espírito. Se pela psicanálise – diria o inconsciente – lá está o espírito e mergulhamos numa imensa profundidade para buscar algo tão simples como o espírito, porém grande de sabedoria, criatividade, autoconfiança, liberdade e amor. Não dar para encontrar a felicidade de outra maneira, a não ser, modesta. A felicidade em troca de bênçãos para adquirir ouro, prata e poder, me parece falha e duvidosa. Porque não há troca com o espírito, e sim homem com homem. É uma compensação externa para agradar alguém e receber em troca, esperando retribuição. Se por ventura o individuo for traído, cairá no fogo, igual como ocorrerá com os dois metais valiosos nas mãos dos ourives, que são derretidos – essa felicidade, portanto, nada mais é um jogo de submissão e de interesse. A felicidade está no ato de doar, de dar, de fazer caridade, de dar amor, sem exigir retribuição ou qualquer compensação. A felicidade está no ato de amar e ser livre. Referências Bibliográficas: Jung, Carl Gustav. “Presente e Futuro. Vozes: Petrópolis, 1982”.
*Pedagoga e artista plástica.
E-mail: psicanaliseconrado@hotmail.com ou tels. 71-3495-1694/8103-9431.
EM 22.09.2007 – EDIÇÃO DE SÁBADO.
Aos rapazes darei uma coroa,
E grinaldas às moças”.





















