Pensando & Expressando Opinião: Caetano Barata

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Justiça seja feita

Publicado por Caetano Barata em 25/10/2011

Os esportes nacionais já sofrem há mais de duas décadas, não um desequilíbrio ou ausência de investimentos mas, o completo abandono por parte da administração pública e inércia ou quase inanição da iniciativa privada, salvo raríssimas iniciativas. Observando o fiasco da seleção masculina de futebol e da seleção brasileira de handebol no Pan de Guadalajara, soou o aviso de que a administração pública desportiva do Brasil não está em bons caminhos em seu planejamento. Salvo nos últimos 30 anos por abnegados empreendedores do desporto amador, o Brasil conseguiu desfrutar de louvável amenização da marginalização devido aos trabalhos feitos por estes anônimos professores de educação física, alguns com e outros sem nenhuma preparação e/ou condição acadêmica; o que não obliterou uma leva de diversos atletas todos amadores em vários polos nacionais.

A seleção brasileira de vôlei vencer a seleção cubana foi no mínimo injusto, quando transfere para o cenário internacional um resultado que não condiz com a realidade dos investimentos na estrutura do voleibol nacional. Nós todos sabemos que raríssimos atletas são bem pagos ou possuem algum contrato que garantam uma condição favorável e um futuro estável quando a idade e os ligamentos se superarem findada a juventude e a saúde.

O desporto nacional, estadual e municipal precisam urgentemente ser tratado não devido a condição política mas, dentro de um único eixo: planejamento, competência e formação. É um fato parafraseando Freire: “Ninguém produz autonomia de um conhecimento que não domina”. Enquanto, o desporto nacional, estadual ou municipal for encarado apenas como amador, nós não devemos nos surpreender com a perda de títulos e a eliminação em torneios na primeira fase.

Infelizmente, os administradores públicos pouco estão preocupados em alcançar o real vencedor neste empreendimento: formar cidadão e manter os jovens longe das drogas e das situações marginais do crime. Acredito que ainda é tempo de repensar o planejamento nacional, estadual e municipal e, se ainda, não o tiver, acreditamos que o país está cheio de mestres, doutores e especialistas no desporto. Aos que não são capacitados é primaz ou correr às faculdades ou contratar a assessoria de quem já alisou os bancos acadêmicos por humildade ou por necessidade. Afinal, quem não pode esperar é a juventude que está sendo escalada pelo crime nos seus jogos mortais.

Caetano Barata – Poeta, ativista cultural em Simões Filho e Conselheiro do CEPA

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Solidariedade perdida

Publicado por Caetano Barata em 23/08/2011

“A solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana.” (Franz Kafka)

É muito comum, nos atendimentos, quando alguém apresenta uma necessidade, ser tratado com mais frieza por ter incomodado os atendentes. A simples solicitação ou questionamento pode gerar a partir dali (daquele momento) verdadeira má vontade, frieza e até provocação da incompetência. Nós somos uma nação que nos arvoramos, nos autoconceituamos hospitaleiros, boa gente e outros e outros blá-blá-blás; nada… Não somos nada disso e alguns dirão: como ousa julgar uma nação inteira por uns poucos? Mas, é a prática comum.

Tentem fazer o seguinte exercício: Vá a um lugar que você conhece bem e pergunte: onde fica a Praça Piedade, por exemplo. Talvez o informante lhe indique a direção contrária. Solicite a um motorista, devido a uma situação inesperada a necessidade de descer em algum lugar fora do ponto e o mesmo irá esbravejar deixando-o no próximo ponto ignorando seu pedido e sua necessidade. Tente dizer que é uma urgência médica para ver se pararão em frente ao hospital.

Regulamentos existem; exceções existem, não para haver quebra de regras. Entretanto, é um fato: O brasileiro prefere ser ruim em correr o risco de ajudar alguém; demonstrando sua fragilidade, influenciando o coletivo. Em Amor Líquido – Sobre a Fragilidade dos Laços Humanos, Zygmunt Bauman, afirma: Nenhum clamor de tormento pode ser maior que o clamor de um homem. Nenhum tormento pode ser maior do que aquilo que um único ser humano pode sofrer. O planeta inteiro não pode sofrer tormento maior do que uma única alma.

Tanta religiosidade, tantas sandices espirituais, tantas rezas e orações são inúteis. Não espiritualizam ninguém na hora de discernir entre um bem e uma regra a ser seguida. Talvez, entre os tais religiosos seja mais notável. Muitas vezes vamos ouvir: “Aqui no meu plantão quem manda sou eu”. Ficando subentendido: Para fazer o mal estou aqui, para fazer o bem somente quando o meu superior chegar. O mal nós assumimos; para fazermos o bem nós precisamos do aval do Comando, da Diretoria, da Coordenadoria; e alguns afirmam: não senti de Deus em fazer, meu coração fechou.

Talvez, os corações sejam maus para fazer o bem e sejam bons para fazer o bem. Coração de brasileiro é coração humano. Solidariedade num mundo em guerra, num Estado baiano onde de 4 em 4 horas alguém é morto não venham me dizer que o coração do baiano está na terra da felicidade… Faz tempo que a Bahia já não é a terra da tal felicidade.

Caetano Barata – Poeta, ativista cultural em Simões Filho e Conselheiro do CEPA.; graduando em Pedagogia UNIME – Lauro de Freitas

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O preço do poder

Publicado por Caetano Barata em 27/07/2011

Você está sempre preocupado para desejar bom dia ao seu irmão, amigo, pai, mãe, esposa. Há muito tempo você ligou para aquele amigo de tantos anos, para aquele parente distante mas, inscrito no hall dos que fizeram parte de sua história? Quero neste artículo lhe fazer meditar sobre o preço a ser pago para alcançar seus planos, projetos, fama, sucesso ou poder. Antes quero dedicar este texto a alguém vivo, já que fazemos muitas dedicatórias aos mortos: meu irmão e amigo, companheiro de escola e equipe de handebol: Luciano Marcos Ferreira.

Nós temos grandes dificuldades em toda a nossa vida e certamente as de ontem não são como as de hoje, mas uma nos prepara para as outras. No dia das mães, tive o prazer de encontrá-lo e conversamos longamente sobre a infância e do privilégio em ter tido a oportunidade de encontrar pessoas que nos orientasse nos momentos de fraqueza da juventude: prof. Paulo Gilberto, professor Romilson, professora Dinorah, professora Nilzete Suzart, professora Antonia Souza, professora Ivone e outros… O que concluíamos, numa dialética socrática: será que os jovens de hoje os tiveram??? Nunca saberemos…

Diante de todas as nossas idéias, Luciano começou a contar-me a lenda de um rei que precisando decidir sobre seu herdeiro tinha o impasse de ter dois gêmeos para substituí-lo. O rei propôs que os filhos partissem ao amanhecer com seus cachorros para as montanhas e, o que retornasse com um dos cães sacrificados seria o herdeiro. Ao amanhecer o mais novo retornou com o seu cachorro nos braços, enquanto o mais velho trouxe o sacrifício de seu melhor amigo. Diante do pai, o mais velho nada disse, apenas apresentando a cabeça do cachorro; enquanto o mais novo, olhando nos olhos do pai disse: meu pai, o poder me pede um preço muito alto, não posso assumir o trono.

Algumas pessoas vivem suas vidas apenas preocupadas com seus próprios interesses; apenas estão dispostas a investir tempo e trabalho naquilo que lhes acrescente e fazem parte do script de suas estratégias, os outros são apenas os outros. Os outros são engrenagens pequenas, peças secundárias, substituíveis e controladas remotamente pelo medo, pelas ameaças sutis e até mesmo pela ameaça do desamparo, abandono e destituição da herança. Os que decidem viver suas relações assim são indignos da ascenção ao poder e são como os que sacrificam os melhores amigos.

Caetano Barata – Poeta, ativista cultural em Simões Filho e Conselheiro do CEPA

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Carreira de político da meia-mentira ou da completa verdade

Publicado por Caetano Barata em 22/07/2011

Sim, apesar de tantas decepções, tantas tristezas, tanta corrupção desnecessária… Nós precisamos de política e políticos. Mas, o que é um político? É um especialista em mentiras, engodos, falsidades e malícias? Seria apenas mais um estranho que a nós deixamos enganar? Ou é uma idealização da própria juventude, em contraponto com a maturidade… Os políticos são os jovens de nossa sociedade, tão irresponsáveis, tão inconstantes e inconfiáveis, salvo raras exceções. Afirmando sem conseguir cumprir, propondo sonhos impossíveis, gastando as forças do amor e saudades sem perspectivas de concretizar o afeto.

O político é fonte e canal de desconfiança, não confiam e não são de confiança. Ao seu redor todos desconfiam de todos ou alguns, num ciclo malicioso, pernicioso e diabólico. Se alguém afirmar que acredita no que um político diz, afirma por interesse político. De forma que ninguém dá aquilo que não possui, o político não pode ser elemento essencial da confiabilidade social. Suas afirmativas são ilusões e as ilusões geram a confusão dos sentidos provocando a distorção da percepção da realidade. A realidade concreta, clara é transformada numa potencialidade irreal, no devir clássico: espera-se, espera-se, espera-se, mas não se concretiza…

É possível fazer política sem essas estratégias? É possível fazer política falando-se claramente, abertamente, verdadeiramente? Sim, mas as ferramentas malignas possuem atributos atraentes, deleitosos, tendo preferência pelos sistemas terrenos. A mentira tem preferência diante da verdade, o ódio mais relevância que o amor; a discórdia e a guerra sobrepujam a paz; a cobiça pessoal e familiar preponderam diante das necessidades sociais da comunidade; “quanta gente não percebe que o trabalho destes homens está longe do amor de Deus”.

É a política fedorenta? Não, os homens corruptos a estão vilipendiando; Política, (em grego Πολιτικα, em latim Politica), em nosso idioma possui o cheiro dos pruridos horrendos, diante dos tais, os homens de boa fé devem apartar-se e eximir-se de em seus discursos falaciosos profanarem a fé em Deus quando utilizam a vontade do Senhor como desculpa para justificarem sua fome e sede de poder provinda de onde o seu bicho não morre e o fogo não se apaga. É lamentável a maioria de nossos jovens não assumirem a política como bandeira de vida; infelizmente, desgraçam suas vidas no álcool, nas batidas de automóveis, nas noites perdidas, enquanto podiam investi-la numa carreira de político da meia-mentira ou da completa verdade.

Caetano Barata – Poeta, ativista cultural em Simões Filho e Conselheiro do CEPA

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