Pensando & Expressando Opinião: Caetano Barata

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Entrevista com Adalto Benedito, compositor do Hino da Cidade de Simões Filho

Publicado por Caetano Barata em 22/07/2011

Nome completo e naturalidade.

Adalto da Silva Benedito

Natural de Brasília – Distrito Federal

Há quantos anos reside em Simões Filho?
Cerca de 19 anos

Como começou sua relação com a música?

Comecei quando comprei uma flauta-doce e tomei aulas de teoria musical (1984), já lendo partitura, percebi que o violão e a harmonia eram muito mais atraentes. Depois de dois anos estudando violão, entrei na aula de piano e saí logo tocando (1988). Nos anos seguintes passei a dar aulas particulares, ensaiar grupos vocais, corais e tocar em eventos. Em 1991 trabalhei como arranjador na gravação do vinil de uns amigos, assim tive o primeiro contato com Estúdio. Em 1994 fui admitido como professor de teclado e violão no Conservatório do Colégio Adventista de Salvador (CAS). Lá, tive acesso ao computador e me tornei usuário da tecnologia MIDI, com a qual gravei mais de 5000 play-back´s. Decidi deixar as aulas e me dedicar à agravação, então, criei o DIGITOM HOME STUDIO (1998) de onde iniciei e (ou) conclui alguns dos mais de 70 projetos de CD-Áudio em que já trabalhei. Entre 2000 e 2011 trabalhei como músico e téc. de áudio nos estúdios: Voice, Arte e Áudio, MusiCas Produções, WR Studio e Paparotti Concertos, nesse intervalo aprendi áudio com alguns dos melhores de Salvador-Ba: Fernando GoodLuck, Nestor Madrid e Luiz Hoffer.

Quais projetos você já participou?

DISCOGRAFIA
01 1995 Grupo kairos – Composição e Arranjo Vocal
02 1996 Coral do Iaene – Arranjo vocal
03 1997 Joel Guimarães – Composição
03 1997 Joel Guimarães – Composição
04 1998 Miro Campos – Composição e Arranjo
05 2000 Alfredo Santos – Gravação, Edição e Mixagem (SIMÕES FILHO)
06 2001 Beth Araujo – Composição, Gravação, Edição e Mixagem
07 2001 Dayana – Arranjo, Gravação e Edição
08 2002 Cíntia Alves – Composição e Arranjo
09 2002 Julho César – Composição, Gravação e Edição
10 2002 Banda Levitas Hallel – Gravação, Edição e Mixagem
11 2002 Lindon Jonhsom – Gravação e Edição
12 2003 Fabrício Viana – Composição, Arranjo, Gravação e Edição
13 2003 Vitória Bastos – Tua Fortaleza – Arranjo, Gravação e Edição
14 2004 Viviane Lima – Composição, Versão, Arranjo, Gravação e Edição
15 2004 Nadson Portugal – Composição
16 2005 Neemias Portugal – Arranjo, Gravação, Edição
17 2005 Coral Som e Cor – Composição, Arranjo, Gravação e Edição
18 2005 É Preciso Confiar – Composição, Arranjo, Gravação, Edição e Mixagem
19 2005 Coral Jovem Salvador – Composição, Arranjo, Gravação e Edição
20 2006 Celina Bastos – Edição e Mixagem
21 2006 Claudia Furtado – Arranjo, Gravação e Edição
22 2006 Celebração e glorificação – Composição, Arranjo, Gravação e Edição
23 2006 Vitória Bastos – Promessas – Arranjo, Gravação e Edição
24 2006 Juliana Santos – Composição, Arranjo, Gravação, Edição e Mixagem
25 2006 Convicção Trio – Gravação, Edição e Mixagem
26 2006 É Preciso Confiar II – Composição, Arranjo, Gravação, Edição e Mixagem
27 2006 Márcia Layane – Composição, Arranjo, Gravação, Edição e Mixagem
28 2006 Neemias Portugal – Arranjo, Gravação, Edição e Mixagem
29 2006 Denise Lima – Gravação, Edição e Mixagem
30 2006 Tamires Monteiro – Composição, Arranjo, Gravação, Edição e Mixagem
31 2006 Vaneide Feitosa – Arranjo Vocal
32 2006 Banda Sinal Verde – Composição, Arranjo, Gravação, Edição e Mixagem (SIMÕES FILHO)
33 2006 Banda Sementes ao Vivo – Gravação e Mixagem (SIMÕES FILHO)
34 2006 Coral Cantor Cristão – Arranjo, Gravação, Edição e Mixagem
35 2007 Gleide Dammas – Composição, Arranjo, Gravação, Edição e Mixagem
36 2007 Banda Cheiro de Deus – Edição e Mixagem
37 2007 Bárbara Pires – Composição, Arranjo, Gravação, Edição e Mixagem
38 2007 Neemias Portugal – Arranjo, Gravação, Edição e Mixagem
39 2007 Jakson Alan – Composição, Arranjo, Gravação, Edição e Mixagem
40 2007 Coral Cantor Cristão II – Arranjo, Gravação, Edição e Mixagem
41 2007 Brasil de Canto a Canto – Arranjo, Gravação, Edição e Mixagem
42 2007 Banda Gênesis – Pré-produção de pianos, pad´s, órgão e Loop´s (SIMÕES FILHO)
43 2008 Makessa – Arranjo, Gravação, Edição e Mixagem
44 2008 Nadson Portugal – Composição, Versão, Arranjo, Gravação, Edição e Mixagem
45 2008 Coral de Vila Maria – Composição e Arranjo Vocal
46 2008 Juliana Santos – Composição, Arranjo, Gravação, Edição
47 2008 Orlando Leal – Arranjo, Gravação, Edição e Mixagem
48 2008 Edlene Barbosa – Arranjo, Gravação, Edição e Mixagem (uma música)
49 2008 Desirê – Arranjo, Gravação, Edição e Mixagem
50 2008 Banda Sinal Vermelho – Arranjo de Cordas
51 2009 Fabrício Viana – Composição, Arranjo, Gravação, Edição e Mixagem
52 2010 Ministério Coração Intimo – Arranjo, Grav. de Sax, vozes, Edição e Mixagem
53 2010 Elizete N. Valverde – Arranjo, Gravação, Edição e Mixagem
54 2010 Espaço Advir – Arranjo, Gravação, Edição e Mixagem
55 2010 Marcia Layane – Composição, Versão, Arranjo, Gravação, Edição e Mixagem
56 2010 Quarteto Sideral – Composição, Arranjo, Gravação, Edição e Mixagem
57 2010 Grupo Herança – Arranjo, Gravação, Edição e Mixagem
58 2011 Quarteto Ancora – Arranjo, Gravação, Edição e Mixagem

Como você se sentiu fazendo parte da história da cidade como autor da música do hino da cidade?

Fiquei muito feliz de ser convidado para participar do concurso para seleção do hino e mais ainda por ter ganhado. Na verdade, eu sou compositor da música e autor de parte da letra.

Quais são os seus projetos para o futuro?

Continuar gravando, projetar e montar meus próprios MIC PREAMP´S e MICROFONES.

Como fazer e, se é possível ser seu aluno de arranjo?

Aulas depende de que instrumento se toca, e se eu der aulas, posso dar aqui em casa.

Quanto custa sua assessoria musical ou apresentação em casamentos?

Qualquer trabalho de studio que eu faça tem como base 30 reais por hora. Para eventos, cobro a partir de 200 reais.

Acrescente outros fatos relacionados à sua vida.

Sou casado a 18 anos, tenho dois filhos, um garoto de 17 e uma garota de 14 anos, tenho um home studio e gosto de cinema e restaurantes.

Agradecemos a atenção do precioso Adalto, arranjador e compositor brasiliense, residente em Simões Filho.

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Nas eleições, fontes ilícitas capturam o Estado, opina Juiz

Publicado por Caetano Barata em 20/01/2010

Por Eliano Jorge

“Não é à toa que praticamente todos os grandes partidos tenham sido pilhados em flagrante, nos últimos anos, negociando apoios políticos em troca de verbas e cargos públicos. É uma prática generalizada”, lamenta o presidente da Associação Brasileira de Magistrados, Procuradores e Promotores Eleitorais (Abramppe) e membro do comitê nacional do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), o juiz Márlon Jacinto Reis, do Maranhão.

Entrevistado por Terra Magazine, ele critica o sistema eleitoral brasileiro e propõe mudanças drásticas para banir a “mercantilização” e o “personalismo” que, acredita, degradam a política brasileira, de Norte a Sul. Resumindo, “interesses particulares sobre os interesses públicos”.

Aos 40 anos, Reis não foge de análises diretas e pesadas. “Quem faz doações vultosas realmente o faz com o único propósito de influenciar as decisões futuras do governo”, torna mais do que claro.

Ele maldiz principalmente o suporte a candidaturas: “As campanhas são financiadas com verbas públicas desviadas pra este fim eleitoral, de manter no poder quem está lá. O restante vem de grandes grupos interessados em contratar com o governo”. E conclui: “O Estado deixa de ser Estado, é capturado por fontes ilícitas e deixa de servir ao coletivo”.

Explica-se a vantagem do jogo de bancar campanhas de parlamentares: “Sai barato gastar alguns milhões na eleição de alguém que pode ter uma influência imensa na definição do orçamento, principalmente quando isso acontece em grupo”.

O magistrado acredita que a dependência excessiva da economia nacional em prestar serviço ao Estado impede o desenvolvimento efetivo do País. E atribui ao Poder Judiciário uma grande parcela de responsabilidade dos problemas brasileiros. Por isso, apoia “uma reforma judiciária baseada não exclusivamente em aspectos técnicos, mas também em aspectos valorativos, de tal maneira que possa colaborar, de maneira mais eficiente, para o aprimoramento da sociedade”.

Leia a entrevista.

Terra Magazine – Como o senhor avalia o sistema eleitoral brasileiro?

Márlon Reis – O sistema eleitoral brasileiro é fruto de uma tradição de concepção privatista do Estado. A figura do indivíduo prevalece sobre a coletividade, e os interesses particulares sobre os interesses públicos. Isso é demonstrado em vários aspectos da legislação. As pessoas têm a falsa impressão de que estão votando em indivíduos. Na verdade, uma série de cálculos, que formam o que se chama de quociente partidário, altera o resultado, faz com que não seja o simples somatório de votos que o faça ser eleito. A impressão dos eleitores de votar em indivíduos alimenta as relações clintelistas locais, fazendo chefes regionais terem a preponderância nos processos eleitorais. Ao invés de ideologias e bandeiras, prevalece a tensionalidade de caciques políticos locais.

O partido sabe que, por causa do quociente, é preciso fazer alianças com outros partidos pra ter o volume de votos necessários. Nessas alianças, os partidos se preocupam com a viabilidade eleitoral, e não com o conteúdo da eleição. O eleitor também não se preocupa com o conteúdo da candidatura, e sim com a personalidade do candidato. Quando bem intencionado, o eleitor procura um líder transformador. O mau intencionado negocia com o candidato, vendendo seu voto… Então, as relações são individualizadas e mercantilizadas. Os partidos negociam em termos financeiros a adesão de aliados partidários. E os candidatos também negociam com o eleitorado em troca de favores a concessão de votos. O sistema eleitoral favorece isso, ao vender a ilusão do voto no indivíduo e forçar coligações de partidos, independenemente de sua ideologia, sem critétrio, apenas por pragmatismo.

Terra Magazine -Como se deve combater a impunidade?

Márlon Reis -Quando se institui uma política baseada nisso, em personalismo e mercantilização, estamos falando da forma de acesso das pessoas ao poder. E são justamente estas pessoas que estão encarregadas de criar as normas para barrar processos de corrupção. O Brasil é carente de normas, de uma institucionalidade que, de fato, enfrente a corrupção. É razoável que seja assim, pois o próprio sistema eleitoral já favorece a eleição de pessoas que precisarão ter, inclusive durante o processo eleitoral, manejado recursos de forma ilícita. Não é à toa que praticamente todos os grandes partidos tenham sido pilhados em flagrante, nos últimos anos, negociando apoios políticos em troca de verbas e cargos públicos. Este episódio também acontece em quase todos os demais partidos. É uma prática generalizada. Durante o processo eleitoral, as alianças são negociadas com base em trocas, que são sempre financeiras, que se baseiam na concessão de oportunidades de recursos – muitas vezes públicos -, e cargos, que também têm a finalidade de movimentar recursos públicos para fins políticos. Ao partilhar cargos entre aliados, os governantes distribuem, na sua base, as portas de acesso a altos volumes de dinheiro público que vão nutrir aquela aliança, que é o que justifica a permanência nos governos. Isso acontece em todos os âmbitos da vida pública. Com uma política baseada nestas regras, fica difícil imaginar que estas mesmas pessoas, exercendo o poder, vão gerar a institucionalidade necessária para combater aquilo de que eles próprios vão precisar para garantir sua permanente eleição.

Terra Magazine -Como a sociedade civil pode participar de maneira efetiva das reações à corrupção?

Márlon Reis – Está surgindo, no Brasil, uma militância desatrelada dos partidos, mas preocupada com a política. Um exemplo disso são os 300 comitês populares do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, com um número que continua crescendo. Eram 70, há dois anos. Não pra defender partidos, mas para defender o aperfeiçoamento do sistema eleitoral como um todo. Este ano, deve haver uma forte militância por votos em candidatos de ficha limpa, independentemente da aprovação daquele projeto de lei. A Igreja Católica e algumas igrejas evangélicas, a OAB e várias outras organizações estão envolvidas nesta campanha. Falarão que a política é importante. As pessoas geralmente se desencantam e consideram a política um terreno sujo, em que não pode haver a aproximação de pessoas de bem. Esse movimento social diz o contrário, que momentaneamente a política está tomada por pessoas que não deveriam estar lá.

Terra Magazine – Quem financia as campanhas e com que propósito?

Márlon Reis – As campanhas são financiadas com verbas públicas desviadas pra este fim eleitoral, de manter no poder quem está lá – é uma parte considerável. O restante vem de grandes grupos interessados em contratar com o governo. É assim no Brasil. O resto é insignificante. Aí perdemos qualquer possibilidade de planejamento. O Estado deixa de ser Estado. Nos EUA, se usa a expressão “captura de governo”. Ele é capturado por fontes ilícitas e deixa de servir ao coletivo.

Terra Magazine – Até quanto se investe financeiramente por um mandato?

Márlon Reis – Eu não saberia fazer menção a números. Mas há vários exemplos conhecidos de candidaturas multimilionárias. Inclusive pra mandatos que nem mesmo fazem gerenciamento de recursos. Um deputado federal não gerencia verbas diretamente, ele influi no orçamento. Ao mesmo tempo, vários deles têm candidaturas multimilionáras porque obviamente se trata de ocupar o parlamento com o maior número de pessoas que garantirá uma destinação das verbas orçamentárias para essas empresas que financiam a campanha. Sendo assim, sai barato gastar alguns milhões na eleição de alguém que pode ter uma influência imensa na definição do orçamento, principalmente quando isso acontece em grupo. Vimos recentemente uma empresa que teve seu nome divulgado como a maior financiadora de campanha, é uma empreiteira, financia candidatos no Brasil inteiro.

Terra Magazine – O senhor fala da Camargo Corrêa?

Márlon Reis – Exatamente. Ela traz à tona algo que é generalizado, não é só ela que pratica. Todas as demais empreiteiras e todo mundo que contrata com o poder público financia muito as campanhas. Esta é a primeira chave de uma reforma política, que é impedir pessoas jurídicas de doarem. Na verdade, as empresas optam pelo caixa 2 porque não querem doar ostensivamente. Mas hoje a legislação não estabelece limites para as doações. Outro motivo para o caixa 2 é não querer doar diretamente. Porque, por exemplo, uma empresa que contrata com o poder público é proibida de doar, mas é comum que ela atue por via de outra empresa com a qual mantenha relação. É simples fazer uma transferência de recursos para um doador legal.

É curioso que tenhamos tanto caixa 2 no Brasil, quando a legislação, de regra, é tão leniente. Temos oficializada a doação por pessoas jurídicas e aceitamos o risco do controle de grande parte dos governos e do poder legislativo por estes mesmo interesses.

Terra Magazine – Como se evita isto?

Márlon Reis – O primeiro ponto de partida seria quebrar a incidência das grandes empresas que têm interesse em atuar com o poder público. Outro aspecto de uma reforma política seria quebrar este mito da individualização do voto. Os brasileiros rejeitam a ideia da lista fechada, pensando que ela oficializa o caciquismo. É o contrário. O sistema atual incentiva o voto nos caciques locais e forma um sistema de caciquismo que se reproduz em todos os âmbitos do governo. Com listas partidárias fechadas, a própria forma de composição das listas já seria objeto de discussão eleitoral. Um partido que democraticamente formasse sua lista de uma maneira mais transparente, envolvendo a comunidade neste processo, partiria com muito mais simpatia pra conquista do voto do eleitorado do que um partido em que o cacique ditou quem deve compor a lista. Mas a lista fechada é encabeçada pelos candidatos com maior potencial eleitoral; se esta lista for formada por caciques à revelia dos membros do aprtido, quem vai participar daquela campanha? Só os poucos diretamente beneficados. Com processo interno de discussão, processo justo de escolha e confiança dos seus membros, todos marcharão juntos para obter voto.

Terra Magazine -Há exemplos disso?

Márlon Reis – Na Espanha, com a morte do general Franco, se fez um processo claro pela sua redemocratização, e uma das primeiras providências adotadas foi a de listas partidárias fechadas para impedir o caciquismo. Isso funcionou muito bem. Os partidos políticos espanhóis são fortes, ideologicamente consistentes, bem distintos uns dos outros. Se quisermos ter partidos políticos fortes e uma política menos fulanizada, precisamos, sim, aceitar o desafio das listas partidárias fechadas, as pessoas votarem em partidos políticos, e não em indivíduos.

Márlon Reis – A mercantilização e a personalização, citadas pelo senhor, são componentes de uma prática difundida nacionalmente, não? Não se restringem a regiões mais carentes…

É uma prática nacional. E é uma prova de que é o sistema eleitoral que faz isso. Não é pelas características de uma região, são as decorrências lógicas da adoção de um modelo que está instituído na nossa legislação. Se a questão da compra de votos fosse relacionada à educação e à falta de recursos, teríamos isso concentrado em bolsões de pobreza, em algumas regiões do Nordeste e do Norte. Mas é uma prática absolutamente generalizada em todos o lugares. Temos casos na Serra Gaúcha e em Ribeirão Preto, lugares de altíssima renda per capta e em que o índice de desenvolvimento humano (IDH) é mais alto. A questão não é meramente econômica, é sistêmica e cultural. O sistema eleitoral atual fomenta uma cultural patrimonialista que faz se praticar generalizadamente, do Rio Grande do Sul ao Amapá, a mercantilização da política.

Terra Magazine – O senhor defende as doações por pessoas físicas. Mas, num país historicamente com dificuldades econômicas, seria viável o eleitor bancar campanhas?

Márlon Reis – Com certeza, é viável, sim. Na verdade, estamos longe de ter um país pobre. É um país empobrecido, em parte. A classe média e outros setores mais organizados economicamente poderiam perfeitamente (bancar candidaturas). Não participam hoje porque não acreditam no sistema. A doação por pessoas físicas é uma raridade. Porque o sistema não é crível, e as pessoas acreditam que o dinheiro será desviado já na campanha. Se fosse mudado o sistema, para permitir a conquista da confiança do eleitorado, não tenho dúvida de que as pessoas estariam dispostas para entrar na internet e fazer uma pequena doação para aquele partido em que mais acredita. Não precisa ser em grandes somas. Quem disse que precisamos de campanhas multimilionárias? A legislação já prevê os programas em rádio e televisão.
Nos casos dos candidatos a cargos majoritários, especialmente em eleições municipais, eles só podem utilizar segundos para aparecer com seu rosto e dizer que são candidatos. Se tivéssemos listas fechadas, o tempo seria gasto para explicar por que um partido é diferente do outro, por que votar neste e não naquele, não haveria aquela infinidade de candidaturas individuais. Só isso já favoreceria um espaço de proporção partidária e eleitoral muito grande, com tempo na televisão. Numa campanha coletiva e não difusa, todos os recursos seriam canalizados pra uma campanha unica, barateando imensamente os custos. Seria um grupo contra um outro grupo, e não centenas de candidatos, cada um sendo uma unidade econômica de campanha.

Nesta semana, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, reclamou que são tratados como crime ou conluio as doações legais para candidatos.
Não há criminalização nenhuma hoje, este é que é o problema. Não há mínima restrição, num patamar efetivamente relevante, a empresas que fazem estas doações, mesmo elas sendo contratantes do poder público. Isto, sim, deveria gerar muito mais repressão do que tem hoje. Discordo completamente. Acho que, pelo contrário, esta criminalização que ele vê não existe, infelizmente. Deveria haver uma efetiva fiscalização pra impedir. Porque estamos diante de coisas graves. Quem faz estas doações vultosas realmente o faz com o único propósito de influenciar as decisões futuras do governo. Não é legal. Na parte que é legal, defendo que seja mudado o sistema eleitoral pra que não seja. O problema é que, muitas vezes, as empresas usam brechas da legalidade para fazer coisas ilegais.

Mudanças na legislação, em 2009, facilitam as chamadas doações ocultas, que são direcionadas aos partidos. Elas não vinculam diretamente financiadores a candidatos dos partidos agraciados.

É um exemplo disso que falei. Os partidos políticos já saberão para quem vão transferir o dinheiro. Certamente não haverá uma democracia partidária que faça esse dinheiro ser pulverizado entre outros candidatos.

Terra Magazine – O senhor acha que isso reduz a transparência de doações direcionadas?

Márlon Reis -Exatamente. O que temos é uma excessiva leniência com essas práticas, e agora agravada pela própria legislação, que tornou ainda mais permitida.

Terra Magazine – A dependência excessiva da economia nacional em relação ao Estado – em prestar serviços a ele – motiva empresas a priorizarem negócios com o poder público e, a partir daí, isso as aproxima da corrupção?

Márlon Reis – Com certeza. E, por outro lado, isso atrapalha o desenvolvimento do País porque faz os olhos do empresariado se voltarem muito para contratação com o Estado. Isso impede o desenvolvimento efetivo da economia brasileira para outros patamares. É lógico que é preciso alcançar maior grau de liberdade nos negócios. E, quando se fica com um volume de dependência incrível em relação às coisas do Estado, isso tem como consequência a limitação do desenvolvimento do País.

Terra Magazine – O sistema de votação eletrônica do Brasil é o melhor do mundo, o mais prático, o que melhor funciona?

Márlon Reis – Estou convencido de que funciona bem. Tenho esta experiência como juiz eleitoral, presidindo eleições, vendo o funcionamento do sistema, acompanhando todo o processo. Trata-se de um mecanismo extremamente sério e eficaz, rápido. Ele trouxe um benefício à sociedade que não foi visto inicialmente. Tudo isso que se fala, sobre compra de votos, sobre abuso de poder econômico, em grande parte se deve ao fato de termos feito a informatização do voto. Até então, o assunto nas eleições era fraude, só falávamos de gente que teve voto e não apareceu na votação. Por isso tinha pouco espaço esta discussão de como o voto foi obtido, se com abuso ou ameaça. Chegamos a este nível de discussão porque pudemos parar de falar em fraude eleitoral.

Terra Magazine – O ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal, afirmou que uma das causas do aumento da corrupção é a atuação do Poder Judiciário, com “práticas arcaicas”, “interpretações lenientes” e “falta de transparência” no processo decisório. O que o senhor acha disto?

Márlon Reis – Eu concordo com todas as declarações. Eu li e acho que ele está certo. Foi duro o que ele disse, mas era necessário que fosse dito em algum momento. Nós precisamos, de fato, fazer uma reforma do Judiciário que seja baseada não exclusivamente em aspectos técnicos, mas também em aspectos valorativos, de tal maneira que o Poder Judiciário possa colaborar também, de maneira mais eficiente, para o aprimoramento da sociedade, que tanto se almeja. O Judiciário tem, sim, uma parte de responsabilidade grande neste quadro atual, nestes fatos que tumultuam a vida brasileira.

Terra Magazine – A Transparência Internacional calcula que, nos países em desenvolvimento, propinas pagas a políticos e funcionários do governo somam até US$ 40 bilhões por ano. Que ações poderiam ser tomadas para reduzir isto no Brasil?

Márlon Reis – Tudo o que falamos tem a ver com isso porque estamos tratando de pensar e propor a criação de um estado mais público, mais coletivo, mais abstrato. Neste sentido, a construção de mecanismos de transparência é absolutamente fundamental. Inclusive para as pessoas saberem quais são as regras do relacionamento com o poder público, nas disputas em licitações e uma série de outras formas de relação. Deveria ser cada vez mais transparente.

Terra Magazine

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4190267-EI6578,00.html

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Entrevista com o Deputado Federal Bassuma, por Cíntia Kelly

Publicado por Caetano Barata em 16/01/2010

Por Cíntia Kelly

O deputado federal Luiz Carlos Bassuma, 53 anos, vira e mexe está se envolvendo em questões polêmicas. Defensor da vida, e contra o direito de legalizar o aborto, Bassuma foi suspenso das atividades parlamentares por divergir do seu então partido, o PT. Inconformado com a punição, ele se desfilou depois de 15 nas hostes petistas.

Hoje no PV, é candidatíssimo ao governo do Estado. Diz que, nos três primeiros meses deste ano, vai fazer reuniões nas 12 maiores cidades, onde estão concentrados 40% da população baiana. Espírita há 30 anos, Bassuma é o que se pode chamar de campo magnético da polêmica. Já presidiu sessão especial na Câmara Federal “incorporado”. Quem acompanhou a cena pela TV Câmara viu as feições do deputado modificadas e ouviu a voz alterada.

Ainda nas questões ligadas ao mundo espiritual, o ‘verde’ entregou recentemente ao clã dos Magalhães uma carta do ex-deputado federal Luiz Eduardo Magalhães, morto em 1998, psicografada por uma médium baiana. Diz que a comunicação entre a terra e o além foi bem assimilada pelo grupo de políticos e empresários.

Nesta entrevista ao Política Hoje, o pré-candidato ao governo baiano faz duras críticas ao PT e ao governador Jaques Wagner. “Qualquer um do PT teria vencido a eleição”, declarou Bassuma, sobre a sucessão estadual de 2006. O PT, óbvio, não ficou distante da língua afiada do seu ex-companheiro. “A coisa mais central da transformação do PT foi que ele ficou igual aos outros partidos em termos de práticas. Não há muita diferença entre PT, DEM e PMDB”.

Política Hoje – O senhor disse que não ia disputar a reeleição. Foi desencanto com o PT?

Bassuma – Esse processo de desencanto vem desde o mensalão. Na época, eu fiz plenária do mandato, tentei sair do partido, mas a maioria votou pela minha permanência. Desde lá, meu desencanto com o PT foi crescendo. Ele foi se tornando o partido da ordem, perdendo o compromisso com a sociedade de transformá-la. Ele não podia ter aberto mão de alguns princípios. A coisa mais central da transformação do PT foi que ele ficou igual aos outros partidos em termos de práticas. Não há muita diferença entre PT, DEM e PMDB.

PHoje – Não tem muita diferença ou não tem nenhuma diferença?

Bassuma – Eles (os partidos) se equivalem. O principal do jogo para eles é vencer as eleições e para isso a questão dos princípios não está presente. No começou não era assim. O PT começou a perder isso quando chegou ao poder central. Uma das coisas mais emblemáticas foi o que ocorreu como o senador Aloísio Mercadante, que disse que a sua saída da liderança era irrevogável, por conta do escândalo com José Sarney e no dia seguinte leu uma cartinha ridícula do Lula pedindo para ele ficar. Para uma pessoa que recebeu 10 milhões de votos é lastimável. Mas faz parte da lógica eleitoral. O PMDB é o segundo maior partido da base. O que aconteceu com Aloísio é o mais emblemático, chateado com Sarney, disse que era irrevogável a sua saída, recebeu 10 milhões de votos, no dia seguinte leu uma cartinha de Lula.

PHoje – Neste caso, a lógica eleitoral quer dizer ter que rezar na cartilha porque pode deixar de ter o apoio do partido. É isso?

Bassuma – O PV quando ficar grande pode correr esse mesmo risco, porque o partido é feito de homens e mulheres. Para vencer a eleição vale passar por cima de princípios e o partido também é feito de princípios. As pessoas vão alterando os princípios para pior, ou melhor. Um princípio que fez o PT crescer foi aquele que perseguia a chamada ética na política. Isso pegou na sociedade. Diferenciava o PT dos demais partidos. Agora para manter Sarney na presidência [do Senado] com provas inequívocas de todas as coisas erradas, prevaleceu a lógica eleitoral para manter o PMDB na aliança, e o Aloísio é um exemplo disso. Para vencer as eleições tem que abrir mão de princípios.

“Nós [do PV] vamos fazer 15 encontros regionais temáticos para ver a demanda de cada região. Em Salvador, por exemplo, sabemos que os grandes problemas são a violência e limpeza urbana. Tenho mil ideias”.

PHoje – O PT na Bahia, pelo o que o senhor está falando, segue esse mesmo caminho. Recentemente, no processo de eleição para a presidência da legenda, alguns grupos ensaiaram bater-chapa com Jonas Paulo, mas foram chamados pelo governador Jaques Wagner que pediu para que eles recuassem da ideia. Wagner foi prontamente atendido. Falava-se que um bate-chapa podia enfraquecer o partido, que a disputa não seria saudável. É um processo de eleição direta meio às avessas.

Bassuma – O PT inovou lá atrás para fazer eleição direta na sua direção. Foi novidade no passado.

PHoje – Mas a inovação ficou no passado, não?

Bassuma – Calma. Eu vou chegar lá. Quando começou foi uma coisa bonita. Foi o único partido que fez isso. O que aconteceu aqui é que o PT também chegou ao poder máximo. A lógica do poder foi fazendo interferência no pensamento livre das bases. Outros interesses fazem com que a lógica eleitoral do PT esteja acima da democracia. O PED virou uma disputa de máquinas. [PED é o Processo de Eleição Direta, através do qual os membros do partido escolhem o candidato da legenda que disputará a eleição – para Presidência , por exemplo]. As estruturas estão com interesses de participar do governo, antes se discutia ideias. O PT não tem mais debate de ideias. O que se discute hoje é a presença de maior ou menor poder nas instâncias do governo.

PHoje – Na sua avaliação, o PT acertou ao deixar a prefeitura de Salvador?
Bassuma – Para mim, foi um erro político.

PHoje – Mas a saída do PT para disputar a prefeitura não era previsível? Quando foi que o PT ficou de fora de uma disputa?

Bassuma – Se ficasse de fora fugiria à lógica. O partido disputa eleição para a prefeitura de Salvador desde 1988 com Zezéu Ribeiro. Não seria a primeira vez que ficaria de fora num governo ruim, um dos piores que Salvador teve. Mas eu fui voto vencido, quando disse que devíamos sair da administração logo. Mas prevaleceu a lógica dos cargos. E a sociedade cobrou, cobrou a incoerência. Se ficou até o minuto final da administração, perdeu a coerência.

PHoje – O presidente Lula não tem um nome que possa substituí-lo com todos os elementos que o fizeram ser o que é hoje (carisma é um deles). Na Bahia, vê alguém que substitua Wagner. O PT está buscando novas lideranças?

Bassuma – Um nome para substituir o de Lula é o de Marina Silva. Ela tem carisma natural, sem marketing. Ela pode suplantar o do Lula. Por isso ele não escolheu Marina lá atrás, e escolheu Dilma para ser sua candidata.

PHoje – A escolha dele foi mais pragmática do que por ter medo de ‘sombra’, se é que Marina Silva representa de fato um medo.

Bassuma – Não foi por pragmatismo. A escolha se deu pelo fato de Marina ter luz própria. Dilma é mais tecnocrata. É uma gestora. Quem vai disputar eleição tem que ter outros ingredientes. O bom é quando tem as duas coisas equilibradas e Marina é boa gestora e tem brilho próprio.

PHoje – Ok. Mas a pergunta era sobre a Bahia e Wagner?

Bassuma – Na minha opinião, a história de Wagner é diferente da de Lula. Lula projetou o PT. A vitória de Wagner se deu pela história do PT na Bahia. Era o momento do PT na Bahia. Ganhou quando ninguém acreditava, nenhuma pesquisa captou.

PHoje – Então teria vencido qualquer pessoa do PT. É isso?

Bassuma – Naquele momento qualquer candidato do PT venceria a eleição. Não era resultado da construção de Wagner. Ao contrário de Lula, que o PT alavancou.

Bassuma“Uma das coisas mais emblemáticas [sobre a mudança do PT] foi o que ocorreu como o senador Aloísio Mercadante, que disse que a sua saída da liderança era irrevogável, por conta do escândalo com José Sarney e no dia seguinte leu uma cartinha ridícula do Lula pedindo para ele ficar”.

PHoje – Como avalia o governo Wagner?

Bassuma – Mediano. Tem acertos e desacertos. Não foge dos demais governos. Tem falhas sérias em setores vitais como saúde e educação. Nenhum governo consegue fazer coisas significativas em pouco tempo, mas tem que perseguir. A segurança também deixa a desejar. Administrativamente o governo é mediano. Ele é ruim na condução política.

PHoje – O senhor se refere a exatamente ao quê?

Bassuma – Não dá para esquecer a conversa de Wagner durante a campanha (2006). Ele dizia ‘não vou esquecer quem comeu poeira comigo’. Quando começou a construção do núcleo central do governo, a ocupação prevaleceu a lógica aritmética. Pessoas que carregaram a história do partido durante 20 anos foram substituídas por pessoas que vieram do carlismo, que tinha mais votos para oferecer. Foi uma escolha pelo velho carlismo em detrimento de lideranças históricas. Com isso se perdeu a aura de governo, com uma cara que o povo elegeu. Se transformou em geléia que é uma mistura de tudo.

PHoje – Caso o senhor não chegue ao segundo turno, quem vai apoiar?

Bassuma – Tenho convicção mesmo que chegaremos ao segundo turno. O candidato que nós vamos enfrentar é Wagner. Embora em política tudo possa acontecer. Mesmo com o partido pequeno. O PV é pequeno, mas não é nanico. Mudou no mundo, a pauta do mundo passou a dar prioridade à mudança de paradigma do desenvolvimento. Introduziu mudanças profundas na economia para que as nossas vidas não sejam insustentáveis.

PHoje – Certo. Mas caso o senhor perca a eleição, quem apoiará no segundo turno?

Bassuma – O histórico do PV sempre teve próximo ao PT. Mas hoje ele não é mais sublegenda. Temos projetos distintos. Começamos uma discussão com partidos pequenos como o PPS. O PV não é de esquerda, nem direita, e o Partido Verde. Hoje o PT e partido de esquerda? Não é. No aspecto ideológico, o DEM, PMDB e PT se equivalem, são semelhantes.

PHoje – O PV entregou ao governador Jaques Wagner uma carta se desligando da administração, mas até agora os ‘verdes’ que têm cargos no governo continuam na estrutura. O PV tomará alguma medida quanto a isso?

Bassuma – É importante que se diga que o PV cumpriu a sua parte. A continuidade do apoio a Wagner foi derrotado por 95% do partido. Todos os cargos estão à disposição do governador. O partido não tem o poder de exonerar, é obrigação do governador fazê-lo, ou das pessoas de pedirem demissão. Juliano Matos (secretário do meio Ambiente) tem obrigação política e ética de fazê-lo. Caso não faça, o PV tem seu estatuto e tem que instalar a comissão de ética porque eles estão descumprindo orientação partidária.

PHoje – Existe um prazo para que a comissão de ética seja instalada?

Bassuma – Acho que é imediato. A carta foi entregue no dia 14 de dezembro do ano passado e acho que o PV deve se reunir para ver isso, mas só presidente pode falar. Agora, na minha opinião, se não agir logo, o partido vai acabar se desmoralizando.

PHoje – Beth Wagner, diretora do IMA, chegou a declarar que o PV pode ter como candidato o ministro da Cultura Juca Ferreira. A sua candidatura é pra valer ou não?

Bassuma – Em tese tudo só será decidido em junho. Até lá, tudo pode acontecer. Só que para o Juca se posicionar ele terá que entregar o cargo de ministro. Ele defendeu a aliança com Lula, foi contra a entrada de Marina Silva no partido, mas ficou isolado. Na Bahia, para que ele tenha autoridade vai ter que deixar o governo Lula. Como continuar ministro de Lula e ser candidato ao governo pelo PV?

PHoje – Então, o que significa a declaração de Beth Wagner?

Bassuma – Faz parte do jogo político. Cada um pode falar o que quiser. Se Juca deixar o governo Lula, pode ser encardo com um nível de seriedade.

PHoje – O senhor já está pensando em seu programa de governo para apresentar durante a campanha?

Bassuma – Nós vamos fazer 15 encontros regionais temáticos para ver a demanda de cada região. Em Salvador, por exemplo, sabemos que os grandes problemas são a violência e limpeza urbana. Tenho mil ideias. Temos também que aprofundar nas duas áreas que são pilares: saúde e educação. Se elas vão bem, todo o resto também vai bem. E isso não está bom na Bahia. A energia já avançou muito, mas não podemos pensar na maluquice de Wagner em trazer eventualmente uma usina de energia nuclear. Entre janeiro, fevereiro e março vamos fazer reuniões nas 12 maiores cidades, onde vivem 40% da população baiana. Depois disso, vamos estender para outros municípios.

PHoje – O governador Jaques Wagner diz reiteradamente que a Bahia avançou. O senhor concorda?

Bassuma – A Bahia é um estado poderoso do ponto de vista de conceito. Está próximo dos estados da região Sudeste, Norte. Está bem localizado. Tem uma costa litorânea fenomenal. Tem vocação para o turismo, mas nenhum governo avançou nessa área. Nenhum governo descentralizou o turismo. A Bahia não é só praia. Tem a Chapada com seu turismo ecológico, inclusive com a inclusão social. Na Agricultura ainda estamos bem atrás dos outros estados. Para se ter uma ideia, a alface que nós comemos vem de fora. Nesse aspecto o Estado não avançou. Na saúde e educação está andando para trás. A saúde é um dos maiores ralos da corrupção. Por que o SUS nunca funcionou, é por falta de dinheiro? Não. É por causa do ralo da corrupção. Não houve avanço antes e agora está pior.

PHoje – O ex-governador Paulo Souto tem feito críticas ao governo, sobretudo na falta de transparência. São críticas pertinentes?

Bassuma – Ele não pode falar. Eu fui deputado estadual e sofri na época dele, que não dava a senha aos deputados para terem acesso às contas do governo. Já Wagner deu a senha. Deputado tem que fiscalizar, afinal é umas nas prerrogativas da função. Tem que ter transparência, não pode esperar que o cidadão faça isso. Porque, quando o governo tem vontade política, você tem que usar não apenas os mecanismos como a Internet, mas tem que ter a Controladoria Interna, que seja feita uma auditoria interna e ampla de alta qualidade técnica para evitar os desvios. Assim que a gente assumir o governo e um partido indicar ‘fulano de tal’ para ser um secretário, o que é normal, se a controaldoria detectar que houve desvio, imediatamente a pessoa será exonerada. O partido político vai ter que buscar uma pessoa mais qualificada para que aquilo ali não vire uma ilha e é isso que o governo Lula faz e Wagner também. Botou ilhas.

PHoje – O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima tem dito que é o novo. O senhor concorda?

Bassuma – O fato de você dizer que é o novo, isso não é bom. Quando você é novo não precisa dizer que é, porque já é entendido como tal. É a mesma coisa que dizer: ‘me respeite’. Ninguém pode exigir, porque respeito se conquista. É um tipo de afirmação que não tem fundamento para mim.

PHoje – Que eu me lembre, dois episódios deixaram claro a sua opção religiosa e o quanto ela é forte e está ligada ao seu mandato. Em certa feita, presidindo uma sessão especial na Câmara Federal, o senhor incorporou um espírito. Mais recentemente, o senhor entregou uma carta ao clã dos Magalhães, dizendo que era de autoria do deputado federal Luiz Eduardo Magalhães, morto em 1998.

Bassuma – É verdade. Entreguei a carta e foi boa a receptividade. Foi tranquilo. Na verdade, foi uma médium daqui da Bahia que me pediu para entregar a carta. Não sei o que tinha nela, nem perguntei. Apenas entreguei à família.

PHoje – Então, continuando a pergunta, quando isso aflora, pode virar piada ou observações jocosas do tipo: ‘se ganhar, Bassuma vai nomear apenas secretários fantasmas’. Isso não o preocupa?

Bassuma – Acho que existe muito preconceito na sociedade. Eu jamais deixarei de explicitar as minhas convicções. Aquilo que eu acredito, eu jamais vou deixar de explicitar por preocupações de como vai encarar. Rótulo não muda ninguém. Eu tenho amigos padres, freiras, pastores e amigos que são ateus materialistas. Nunca fiz proselitismo. Religião para mim é uma coisa secundária. Não é essencial. Para mim é uma ferramenta importante e eu não posso negá-la. Eu seria ingrato perante a Deus.

Phoje – O senhor é espírita há quanto tempo?

Bassuma – Há muito tempo. Uns 30 anos, desde que eu cheguei à Bahia. Mas tenho profundo respeito por todas as religiões. Embora eu não encare o espiritismo como religião.

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Entrevista com Mestre Paulinho participante do filme Besouro

Publicado por Caetano Barata em 16/11/2009

Paulo Ferreira – Mestre de Capoeira, aluno de Mestre Washigton, Valmir e Roberto França, participante do filme Besouro, Capitães de Areia, participante da Campanha Negro Amor com o fotógrafo Sérgio Guerra, precursor da luta para transformação da capoeira em esporte olímpico.

1 – Nós do Blog do Barata: Como está hoje a transformação da capoeira em esporte Olímpico?

Mestre Paulinho – Hoje já são 47 grupos, cursos de arbitragem, 40 arbítros já formados.

2 – Nós do Blog do Barata: A capoeira hoje já colhe os frutos do trabalho da desmistificação de jogo para negro?

Mestre Paulinho – Sim, hoje os Mestres e pais já compreendem que a capoeira é um esporte como o judô, o karatê ou outra arte marcial e não é uma ferramenta de iniciação no Candomblé.

3 – Nós do Blog do Barata: Como foi sua inserção no filme Besouro?

Mestre Paulinho – Foi inusitada, diria até por acaso. Quando as pessoas da equipe de avaliação dos capoeristas me falavam, eu pensava tratar-se de uma brincadeira.

4 – Nós do Blog do Barata: Você se acha artista?

Mestre Paulinho – Canto, toco, danço, sou artista não pelo filme.

5 – Nós do Blog do Barata: Nos descreva o berimbau olímpico?

Mestre Paulinho – O Berimbau olímpico tem como finalidade aumentar a amplitude do berimbau convencional.

6 – Nós do Blog do Barata: Quais os lugares em que tratou do Berimbau Olímpico?

Mestre Paulinho – Estive na sede do CEPA – Círculo de Estudo Pensamento e Ação, Movimento Educativo cultural, onde fui muito bem recebido juntamente com os capoerista olímpicos da Associação Banto Brasil, na Faculdade Olga Mettig onde falamos para uma platéia seleta, lá estavam um Juiz, um advogado que aprendeu capoeira com mestre Bimba, um musicista e uma jovem contadora de histórias e demais presentes.

6 – Nós do Blog do Barata: Agradecemos sua gentileza e sucesso. Que outros convites surjam.

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