Entrevista com o professor e articulista Germano Machado



Aproveitando os 56 anos do CEPA – Círculo de Estudo Pensamento e Ação, publicamos entrevista com seu fundador, Professor Germano Machado. O professor Germano Machado é membro da Academia de Artes e Letras Matter Salvatoris, Membro da Academia de Letras e Arte de Salvador (ALAS), professor aposentado da UCSAL e da UFBA, colaborador do Jornal Tribuna da Bahia.

Neste sábado (16/06/07) o professor estará palestrando sobre o tema: Os 56 anos do CEPA. A sede do CEPA fica na rua Souto Dalva, 98 – Barbalho, Salvador (um ponto de ônibus depois do CEFET). O que redundará numa ressaca (permitam-me a expressão) dos 81 anos do professor, comemorado no dia 28 de maio. Você é convidado especial! (71) 3242-0502 (entrada franca).

Entrevista

Caetano Barata – Professor, Não seria um contraste um cristão citando Nietzsche, como no seu livro Sintetismo: filosofia da Síntese? “O homem é um animal inacabado”. O homem feito a imagem e semelhança de Deus!?

Profº Germano Machado – Não há contrastes, porque no fundo, Nietzsche era um cristão de cunho pietista e que assim se frustrou. Nega Deus na aparência, se aprofundarmos veremos Deus. Basta ver Zaratustra que era Zoroastro, fundador do Zoroastrismo.

Caetano Barata – Como Cristianizar o Hegelianismo?

Profº Germano Machado – Hegel não teve tempo de fazer uma revisão porque o seu século era racionalista. Posteriormente, filósofos e teólogos das igrejas tradicionais (Católica, Luterana, Anglicana) refizeram Hegel.

Caetano Barata – Recentemente, o Srº leu a biografia de Calvino por Wilson de Castro Ferreira. Afinal, a predestinação tem sentido quando propõe a predestinação ao mal sem considerar o livre arbítrio?

Profº Germano Machado – Desde Agostinho, a predestinação “tentou” grandes cristãos. O próprio Agostinho desvia da predestinação com a Doutrina da Graça e por isso o seu título é Doutor da Graça. Calvino, baseou-se em textos bíblicos isolados o que não comprova a Doutrina. Pois, a Bíblia apenas diz? que Deus quer salvar o homem e que o homem deve querer se salvar. Não querer se salvar ou desesperar-se da salvação é um pecado contra o Espírito Santo.

Caetano Barata – O que o Senhor lembra de o Rosto Materno de Deus?

Profº Germano Machado – Leonardo Boff fez um livro altamente consolador, contra uma visão de Deus meramente patriarca. Quando Deus é doce, misericordioso. Diríamos até que Deus é mãe, é maternal.

Caetano Barata – O que o Senhor nos diria hoje sobre a Teologia sem Deus em Nietzsche e Marx?

Profº Germano Machado – Contribuíram para o aprofundamento das teologias protestantes e católicas. Sem os ataques de Nietzsche a teologia e sobre tudo a Escolástica Católica, as teologias teriam ficado empedradas.

Caetano Barata – O Senhor viu a geração coca-cola e a geração tudo bem. Qual a opinião do Senhor sobre a geração atual?

Profº Germano Machado – É o fruto das duas citadas, piorando pelos exemplos das corrupções das elites brasileiras nos três poderes.

Caetano Barata – O Senhor concorda com Graham Greene que disse que o tempo não lhe roubou as forças, pois se a energia física já não é a mesma, por outro lado o domínio sobre si próprio tornou-se mais amplo?

Profº Germano Machado – É uma felicidade pessoal do grande romancista que tinha ao mesmo tempo o inglês eivado de angústia.

Caetano Barata – Professor, meus agradecimentos. Breve continuaremos nosso bate papo, falando de política na época da repressão, dos tempos de Glauber Rocha no CEPA e da marcante presença de Graciela Santos no CEPA. Você que está em Salvador vá a comemoração dos 56 anos do CEPA. Você é meu convidado!

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3 comentários em “Entrevista com o professor e articulista Germano Machado”

  1. Fico feliz em poder reler e relembrar do professor Germano Machado. Apesar de hoje já se completar quase um mês da publicação dessa entrevista e alguns anos que não o vejo, gostaria de revelar a imensa satisfação e felicidade em ter podido frequentar algumas reuniões da CEPA, lá pelos anos de 1996 ou 1997, quando fui sua aluna da disciplina “Estética” na UCSal. Deixo registrada minha grande adimiração pelo professor.

    Patrícia Rachel

  2. Quero expressar minha imensa satisfação em ler essa entrevista. Conheci o prof. Germano Machado ainda adolescente, aos 16 anos, por influência de amigos que conheciam o seu trabalho no CEPA. Sintetismo, Filosofia da Síntese, de sua autoria, foi a primeira obra filosófica com a qual tive contato. Hoje, aos 28 anos, sou professor e pesquisador de Filosofia do Direito, trazendo em mim a convicção de que, nas sábias palavras do prof. Germano, foram plantados em minha alma, as sementes do amor à poesia e ao livre pensar.

    Gostaria de saber se as reuniões do CEPA ainda acontecem e quais dias.

    Grato.

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