Escola: Zona de Poder


A representação do policiamento e do juízo; fazendo o papel da Polícia e da Justiça são as mais eloquentes figuras do professor na sala de aula. A ilustração do professor como autoridade a serviço do Estado, assim como a Polícia e a Justiça decorre do potencial de instrução das normas de condicionamentos em que são submetidos os alunos. Citando Michel Foucault em Microfísica do Poder (2008; p. 8): “A noção de repressão por sua vez é mais pérfida; em todo caso, tive mais dificuldade em me livrar dela na medida em que parece se adaptar bem a uma série de fenômenos que dizem respeito aos efeitos do poder. Quando escrevi a História da Loucura usei, pelo menos implicitamente, esta noção de repressão. Acredito que então supunha uma espécie de loucura viva, volúvel e ansiosa que a mecânica do poder tinha conseguido reprimir e reduzir ao silêncio. Ora, me parece que a noção de repressão é totalmente inadequada para dar conta do que existe justamente de produtor no poder. Quando se define os efeitos do poder pela repressão, tem−se uma concepção puramente jurídica deste mesmo poder; identifica−se o poder a uma lei que diz não. O fundamental seria a força da proibição. Ora, creio ser esta uma noção negativa, estreita e esquelética do poder que curiosamente todo mundo aceitou. Se o poder fosse somente repressivo, se não fizesse outra coisa a não ser dizer não você acredita que seria obedecido? O que faz com que o poder se mantenha e que seja aceito é simplesmente que ele não pesa só como uma força que diz não, mas que de fato ele permeia, produz coisas, induz ao prazer, forma saber, produz discurso. Deve−se considerá−lo como uma rede produtiva que atravessa todo o corpo social muito mais do que uma instância negativa que tem por função reprimir”. Podemos concluir que o aluno perdeu o interesse pela Escola devido ao seu desvirtuamento, já que se consolidou nesta estrutura a serviço do fortalecimento da hierarquia social proposta pelo Estado.

Entretanto, se a marginalia pretende contrapor-se ao sistema social, deverá buscar afetar e destruir as bases do Estado; a escola e a família fazem parte deste bloco; deveríamos fortalecer estas estruturas. Alguns afirmam que a Escola está colhendo aquilo que plantou; outros concluem que a Escola parece com seus corredores e salas com câmeras uma fisionomia prisional. O certo é que alguns professores abusam da zona de poder a que lhe foi outorgado neste sistema mais parecendo carcereiros. Gozam do prazer de reprovar a maioria dos alunos, como se ele mesmo não fosse responsável pelo entendimento e crescimento da qualidade, qualificação e interesse do alunato. O professor deveria ser mediador, mas prefere estabelecer uma situação/problema de terrorismo e pânico utilizando as ferramentas psicoativas do reforço e condicionamento behaviorista.

A quem interessa um professor mau, carrasco; o qual os alunos se alegram quando este não consegue chegar à Escola? Não serve para nada, não faz nenhuma diferença positiva, a não ser, acrescer no alunato o desprezo pela representação da Justiça e da Polícia. Mas, como estes Instrumentos serão efetivos à sociedade se o professor, um dos primeiros paradigmas da justiça e da polícia, não consegue desempenhar bem o seu papel?
O fazer diferença é o complemento estrutural na base da família. De forma a entender que o alunato ganha socialização efetiva na Escola. Um professor desestimulado pelos baixos salários, pelas exaustivas cargas horárias e utilizando-se das ferramentas psicoativas para exercício do domínio da classe, redundará em perda de profissional e de toda a classe de alunos. É premente uma análise fria das condições trabalhistas a que são submetidos os profissionais de educação, quando estes encaram 40 ou quase 60 alunos em fase de formação comportamental, educacional e social.

Caetano Barata – Poeta, ativista cultural em Simões Filho e Conselheiro do CEPA

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