Solidariedade perdida


“A solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana.” (Franz Kafka)

É muito comum, nos atendimentos, quando alguém apresenta uma necessidade, ser tratado com mais frieza por ter incomodado os atendentes. A simples solicitação ou questionamento pode gerar a partir dali (daquele momento) verdadeira má vontade, frieza e até provocação da incompetência. Nós somos uma nação que nos arvoramos, nos autoconceituamos hospitaleiros, boa gente e outros e outros blá-blá-blás; nada… Não somos nada disso e alguns dirão: como ousa julgar uma nação inteira por uns poucos? Mas, é a prática comum.

Tentem fazer o seguinte exercício: Vá a um lugar que você conhece bem e pergunte: onde fica a Praça Piedade, por exemplo. Talvez o informante lhe indique a direção contrária. Solicite a um motorista, devido a uma situação inesperada a necessidade de descer em algum lugar fora do ponto e o mesmo irá esbravejar deixando-o no próximo ponto ignorando seu pedido e sua necessidade. Tente dizer que é uma urgência médica para ver se pararão em frente ao hospital.

Regulamentos existem; exceções existem, não para haver quebra de regras. Entretanto, é um fato: O brasileiro prefere ser ruim em correr o risco de ajudar alguém; demonstrando sua fragilidade, influenciando o coletivo. Em Amor Líquido – Sobre a Fragilidade dos Laços Humanos, Zygmunt Bauman, afirma: “Nenhum clamor de tormento pode ser maior que o clamor de um homem. Nenhum tormento pode ser maior do que aquilo que um único ser humano pode sofrer. O planeta inteiro não pode sofrer tormento maior do que uma única alma”.

Tanta religiosidade, tantas sandices espirituais, tantas rezas e orações são inúteis. Não espiritualizam ninguém na hora de discernir entre um bem e uma regra a ser seguida. Talvez, entre os tais religiosos seja mais notável. Muitas vezes vamos ouvir: “Aqui no meu plantão quem manda sou eu”. Ficando subentendido: Para fazer o mal estou aqui, para fazer o bem somente quando o meu superior chegar. O mal nós assumimos; para fazermos o bem nós precisamos do aval do Comando, da Diretoria, da Coordenadoria; e alguns afirmam: não senti de Deus em fazer, meu coração fechou.

Talvez, os corações sejam maus para fazer o bem e sejam bons para fazer o mal. Coração de brasileiro é coração humano. Solidariedade num mundo em guerra, num Estado baiano onde de 4 em 4 horas alguém é morto, não venham me dizer que o coração do baiano está na terra da felicidade… Faz tempo que a Bahia já não é a terra da tal felicidade.

Caetano Barata – Poeta, ativista cultural em Simões Filho e Conselheiro do CEPA.; graduando em Pedagogia UNIME – Lauro de Freitas

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