Entre o real e o imaginário


Odeio a ideia de notícias aterrorizadoras, profecias do fim das eras e de tempos tragicômicos. Entretanto, enquanto nos ocupamos com Rock in Rio e outros eventos de grande importância, um surto de meningite aqui e de coqueluche ali e acolá, grassam vidas no Brasil. A Copa do Mundo de futebol não será vista por baianos é um fato real e ainda não claro, evidentemente, alguns pensam que basta pegar a fila da bilheteria na manhã do jogo… É bom desenvolver a consciência de que os pacotes são comprados com hospedagem e ingressos para os games. Baianos e brasileiros de todos os lugares virão a Salvador trabalhar para fazer bonito para europeu ver, ouvir, comer e falar mal.

Ainda nos resta, a violência nossa de cada dia. Os noticiários tidos como mídia marrom fazem seu papel alertando, mostrando a gravidade da desenfreada violência bestial; onde não há legitima defesa ou motivação fútil, matar ou tomar um copo com água são gêneros do mesmo drama nacional. Essencialmente, perdemos nossa sensibilidade, toda atitude particularmente amorosa ficou guardada para momentos e exibições oportunas; dirigimos-nos às pessoas o mais superficialmente possível, para não sermos invadidos por qualquer elemento em nossa privacidade.

E, se alguém, por algum motivo, exibe alguma atitude de afeto, de carinho, nosso sistema de prevenção nos alerta de que algum mal está a caminho, afinal, ninguém nos trata mais com atenção e estima. Todos buscam seus próprios interesses à espreita do melhor momento de “se dar bem”. Quando alguém nos saúda, utiliza-se de monossílabos átonos ou tônicos para referir-se a nossa identidade: “Diga”, “oi”, “colé?”; transformando a comunicação em rápidos grunhidos vocálicos. As relações estabelecem da forma mais virtual possível. Certamente, não estou fazendo escola, o médico Patch Adams já definiu as relações humanas neste aspecto.

Objetar essas elucubrações é prescindir a realidade, é omitir-se diante das notícias. As notícias escapam à nossa tentativa de transformar a vida em um paraíso de amor e paz. Um lugar, no qual, possamos sair com nossos filhos e família, sem o medo do materializar-se da ação do mal. Um mundo real, sem preconceito, sem pânico, embasado no amor e no bem, a cada dia se torna mais imaginário do que real.

Caetano Barata – Poeta, ativista cultural em Simões Filho e Conselheiro do CEPA

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