Educação para o trânsito


Alta velocidade, falar ao telefone dirigindo, falta de uso do cinto de segurança, drogas. Estes são os ingredientes do reflexo das estatísticas do transito nacional, inserindo uma pitada de orgulho, vaidade, ostentação e arrogância. O que deveria ser um bem de consumo, necessário para toda família, transforma-se para muitos num artigo de luxo, de pavor e tristeza.

Tendo o automóvel grande investidura de status e elementos indicativos de prosperidade social e financeira, estar ao volante preenche o ego de um poder efêmero. Misturando todos os elementos da natureza humana com a ideia real do poder imanente do automóvel surge uma combinação perigosa de força e velocidade esmagadora. Muitas vezes, o resultado alcançado foi destruição de vidas e de máquinas. Dirigir carros especiais como viaturas, coletivos, transportadores de combustíveis e outros elementos corrosivos podem também acrescer ao condutor em seu ego potencial negativo. Uma máquina e uma farda juntas elevam mais a ideia de poder no homem, afinal, ali se é representante do Estado ou de uma empresa privada.

Associados à condição humana, nós temos diversos exemplos de pessoas que autorizadas pelo poder público cometem infrações graves: de dirigir embriagado a romper o sinal vermelho. Naturalmente, as pessoas em sua maioria associam erros ao volante à condição da educação, seja doméstica ou escolar. A educação é citada como uma deusa grega que tudo poderia fazer com um toque especial. Entretanto, nós sabemos que cabe ao homem a decisão de ser gentil ou arrogante, uma pessoa contenciosa ou de paz. Aquele jeitinho brasileiro denominado de Lei de Gerson, sempre levar vantagem; remete-nos àqueles que pegam carona no vácuo deixado dentro do engarrafamento por viaturas policiais ou ambulâncias. Por outro lado, quando estas pessoas são ultrapassadas, elas sempre acham que os outros deveriam possuir a nobreza, exercer a gentileza, dar passagem, sair do caminho, afinal, elas estão atrasadas ao médico quando saíram faltando minutos para a consulta. Sim, é triste.

É fácil culpar o Estado por não educar as crianças para o trânsito. Entretanto, quais os bons exemplos deixados para os mais jovens? Já vimos a pouca eficácia dos sermões quando os filhos encontram os pais embriagados, testemunham os pais aos berros proferindo xingamentos ou sair da direção para tirar satisfações com outro condutor. Exigir nobreza dos outros é fácil, ser nobre: sinceridade, bondade, fidelidade. Ah! Aí é uma questão de situação.

Caetano Barata – Poeta, ativista cultural em Simões Filho e Conselheiro do CEPA

Anúncios

Grato por sua participação!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s