O Preconceito cheira a ignorância


“A história da escravidão africana na América é um abismo de degradação e miséria que se não pode sondar.” (Joaquim Nabuco)


No artigo, “Da Lei Áurea ao Estatuto da Igualdade Racial”, já destilei a saudade de uma princesa para assinar o Estatuto. São 300 anos de segregação e maldade de todos os tipos. É lamentável, ainda hoje, termos que nos deparar com mentes atrofiadas de cognição retrógrada (Kant), questionando o donativo de bolsas (não segundo o mérito da raça) mas, pelo conhecimento conceituado através do ENEM.

Consideremos que a educação pública é de má qualidade para todos os homens, por redundância: brancos, negros, índios e ameríndios. É necessária sim, antes, a intervenção imediata no sistema educacional público. A inexistência de cotas, por exemplo, concorre para a exclusão total da raça negra no ensino superior. Já que a educação de nível superior exige algum conhecimento e capacidade de raciocínio lógico-dedutivo é de se concluir que poucos conseguiriam ser aprovados num concurso para uma faculdade pública, sem ter o mínino de conhecimento técnico.

Em 1882, Rui Barbosa declarava no Parlamento que se não houvese abolição total da escravatura de logo, através da Lei do Ventre Livre, o Brasil chegaria ao século XX ainda com escravos. Após a República Rui Barbosa conceituava entre figuras políticas de importância que a Princesa Isabel merecia todo o louvor pelo ato, afinal alguém precisava assinar o documento do legal do Ato.

Nos idos, em que a liberdade do homem negro podia ser comprada nas mãos dos senhores de escravos, se o Governo Nacional brasileiro decidisse promover uma ajuda para a aquisição da liberdade de alguns negros, certamente, algumas vozes da nobreza diriam: “o que querem fazer com o futuro desse país?”
Questionariam o valor dos novos homens livres, contra o valor dos que morreram sem a liberdade comprada. Afinal, quem perde com a liberdade do homem negro? Quem perde quando o homem negro possui autonomia para montar seu próprio negócio?

Não cobraríamos das últimas gerações as dívidas com a raça negra. O incompreensível é o incômodo provocado com o pagamento das mensalidades de negros na faculdade. A qualidade da escola pública é a mesma para negros e brancos. Se a escola de nível superior é elitista, nós já estamos cientes que ela exclue negros e brancos pobres.
Assim, esperamos mais negros com autonomia para montar seu próprio negócio. É essa liberdade contrária à liberdade do homem branco? Não, por que motivo lógico?

Publicado no Jornal A Tarde, dia 26 de março de 2010

Caetano Barata – Poeta, ativista cultural em Simões Filho e Conselheiro do CEPA

Anúncios

Grato por sua participação!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s