Índios das Américas se unem em defesa do meio ambiente na Rio+20



Índios das três Américas se reuniram nesta quarta-feira (13) na Aldeia Kari-Oca, construída na colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá, e declaram que vão juntar forças para entregar um documento aos representantes da Organização das Nações Unidas (ONU) durante a Rio+20, como foi feito na Rio92, quando redigiram a Carta da Terra, com 109 recomendações focadas na soberania indígena.

Eles reclamaram que não foi oferecido pela ONU um espaço para os índios participarem dos debates sobre desenvolvimento sustentável, economia verde, responsabilidade social e mudanças climáticas e outros temas da Rio+20.

“Eu tenho um crachá da ONU para poder ter acesso ao RioCentro, mas apenas so espaço físico. A ONU vem aqui e nos faz tirar o sapato, tirar o nosso cinturão, tirar nossas vestimentas típicas. Eles nos revistam e querem dizer que estão defendendo o meio ambiente? Eu mostro o crachá para os seguranças até para tomar um café. A ONU precisa se desarmar para estar aqui. Nós, índios, podemos mostrar a eles como proteger a natureza sem armas, respeitando a todos”, disse Marcos Terena, organizador da Kari-Oca.

Ele espera poder entregar um documento para representantes da ONU com questões que são consideradas essenciais aos indígenas e ao meio ambiente. “Hoje, os índios já pensam de maneira global. Não pensamos somente no dia de hoje, mas pensamos adiante, a longo prazo”, disse Terena.

Na Aldeia Kari-Oca, cerca de 350 índios, entre brasileiros, canadenses, mexicanos e guatemaltecos participaram da cerimônia de acendimento do fogo sagrado ancestral indígena, nesta quarta-feira.



Durante a celebração, o índio Chief Phil Lune Jr., da etnia sioux, do Canadá, disse os indígenas do mundo todo só conseguirão ser ouvidos se juntarem suas forças. “Estamos todos juntos, do norte ao sul do planeta, vimos de todos os hemisférios. Não podemos mais deixar nossa mãe terra ser destruída. Tenho amor pelos índios brasileiros, que mantêm essa cultura antiga de cultuar o fogo. Por isso queremos ser ouvidos pela ONU.”

O guatemalteco Tata Pedro Cruz, da etnia maya, disse que quer deixar uma mensagem de paz no Brasil. “Não estou aqui por acaso. Temos de deixar uma mensagem de unidade, de irmandade. Em nome do coração da terra, da água, do ar e dos quatro ventos que sopram aqui, digo que precisamos despertar a consciência para este ano de 2012.”

Fogo sagrado

A cerimônia do fogo sagrado ancestral indígena foi realizada no ponto exato onde os índios montaram a Oca em 1992. Neste ano, no entanto, eles foram impedidos de montar a habitação no mesmo local por conta de um laudo feito pela Fiocruz sobre os riscos à saúde dos índios. “Eles disseram que tem leishmaniose naquele trecho. Nosso pajé foi lá e disse que não tem. Acreditamos no pajé e não no papel da Fiocruz. Vocês estão vendo mosquito ou formiga aqui?”, disse Terena, se referindo ao trabalho espiritual feito pelos pajés no local.

Participaram da cerimônia de abertura da Kari-Oca índios das tribos xerente, paresi, manoki, terena, gurani kaiwa, guarani, kayapó, pataxó, pataxó hã hã hãe, bororo e xavante. Além das etnias brasileiras, o acendimento do fogo sagrado também contou com a participação de índios Sioux, do Canadá; dos astecas, do México; e dos mayas, da Guatemala.

Belo Monte

Terena afirmou ainda que a ONU não quer debater os efeitos danosos que a construção da Hidrelétrica de Belo Monte pode provocar ao meio ambiente. “Belo Monte é um caso consumado. Temos de pensar lá na frente. A ONU quer debater energia sustentável. Então vamos falar dos projetos de contrução de seis hidrelétricas que estão previstas na Amazônia.”

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