Não foi um “encantamento negro”


Em 1517, foi iniciada a Reforma Protestante, naturalmente, a condição desumana e animal na qual eram submetidos negros e negras foram inquietando a alma dos verdadeiros cristãos, em detrimento do prazer desfrutado por alguns, em não precisar ir pegar água na cozinha mas, ter um negrinho para buscá-la; de poder descarregar seu estress, seu ódio ou sua frustração em surras monumentais em alguma negra seja ela física, moral ou sexualmente.

Lembre-se que em 26 de abril foi rezada, tocada e cantada a primeira Missa no Brasil, ops… Brasil não, o território que Cabral chamou de Vera Cruz, foi rebatizado de Santa Cruz pelo rei. Tentaram escravizar os índios mas, os índios não resistiram as violências físicas e sexuais, imaginemos os males que estes homens dias e dias no mar nem vamos entrar na história do banho, mas, só para você ter ideia do que era o banho, o homem medieval comum achava suficiente tomar um banho por ano. O poder espiritual na Terra de Vera Cruz mandou buscar prostitutas na Europa para saciar o furor dos ladrões, assassinos libertos em troca desta expedição louca; as índias não aguentaram e morreram de sífilis, gonorreias e outros males humanos da época.

Na descoberta das Américas a Europa viu eclodir a necessidade de mão-de-obra para a lavoura. Lembrando que para o poder religioso da época (Igreja Católica) ter vez no Estado monárquico ou era por temor ou por dinheiro, isto funciona até hoje: ou me obedece ou vai para o inferno, a monarquia não tinha como lutar contra Deus. Uma dicotomia de forças que equilibravam-se, já que um modelo estabelecido não iria colocar-se em perigo, assim havia autorização papal para os reis indicarem as autoridades religiosas e os religiosos que passavam a ser “funcionários” do Estado no chamado Padroado.

À época não havia real ou dólar, os escravos africanos vieram para o Brasil nos primeiros tempos da colonização trocados por cachaça de cana, fumo, cana, espelhos, facões, tecidos. Com o movimento Protestante, um cristão submeter outro semelhante às tormentas repugnantes da escravidão tornou-se moralmente incorreta. A princesa Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon não foi influenciada por afeto sentimental com algum negro como alguns insinuam, além de que a conjunção internacional política e religiosa não aceitava mais. A princesa possuía vários amigos abolicionistas, sejam eles, alforriados ou abolicionistas brancos; dentre tantos amigos abolicionistas estão: Joaquim Nabuco, José do Patrocínio e Luiz da Gama. Num domingo, 13 de maio, uma das maiores vergonhas da raça humana terminou um processo durando III séculos, vitimando 12 milhões de negros africanos. Estamos num novo ciclo de 124 anos de aceitação particular com liberdade vigiada, muitas vezes conceituada com certa desconfiança, sendo possível ouvir: “raramente encontro um negro honesto”.

Caetano Barata – Poeta, ativista cultural em Simões Filho e Conselheiro do CEPA

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