O homem não vive ou se liberta sozinho


Ontem foi 13 de maio de 2013. Já escrevi diversas vezes: sem a assinatura da Princesa Isabel não existiria liberdade da raça negra do sistema escravocrata no Brasil. No ano de 2012, foram libertados mais de 1.200 brasileiros trabalhando em sistema escravo em postos trabalhistas na nação brasileira. Questionar se a assinatura foi ato de benevolência ou pressão política pouco sucinta em mim sentimento negativo à Princesa, seu valor continua incólume, afinal, vejamos as críticas às medidas consideradas politiqueiras de inclusão da raça negra no sistema sociopolítico no Brasil.

Não me engano, afinal, eu sei que a ascendência da raça negra no estado brasileiro é um esforço hercúleo. De trabalhar a estudar, a trabalhar, naturalmente, dentro de jornadas acima da permitida; sem reclamar. Aceitar tratamento desumano e assédio moral são algumas das dificuldades de relacionamento nos moldes capitalistas e de alto rendimento humano; consideremos que os homens competem com as máquinas e um robô pode substituir o homem em várias atividades com destreza e lucro; assim o homem precisa fazer mais e o negro precisa fazer melhor.

Ser negro no estado brasileiro é um convívio diário com o olhar da desconfiança. Quando o negro se arruma, será que está com uma arma na cintura? Quando um negro sai correndo, será que aprontou alguma? Quando um negro faz uma atividade com destreza, será que é uma fraude ou foi ajudado por alguém? Quando o negro se aproxima de alguém, será que ele vai me roubar?

O homem não vive sozinho e ninguém se liberta sem ajuda do outro ou como resposta aos estímulos da sociedade em que convive. Vivemos um novo processo de reconstrução do mundo ou do fim dos tempos mas, esta reconstrução se dá em nível interior, também. É esta capacidade de transformar qualquer realidade subjetiva num contexto concreto que aproxima a sociedade brasileira num sonho de paraíso perdido, John Milton: uma utopia das democracias políticas, sociais e raciais. A migração para a nação brasileira começou na diáspora negra e continua nos atuais períodos pós-guerras; da 3ª Guerra Mundial aos refugiados de todas as partes.

Se a ação humana tem em sua existência o cerne das intenções ou motivações, quais seriam as da princesa Isabel quando assinou a Lei Áurea? Absolutamente, as suas intenções eram as melhores, infelizmente, a ingratidão, a incompreensão humana fez do 13 de maio de 2013, uma segunda-feira, dia de branco.

Caetano Barata – Poeta, ativista cultural em Simões Filho e Conselheiro do CEPA

Este texto foi publicado no Jornal A Tarde. O Jornal de maior circulação no Norte/Nordeste brasileiro.

Anúncios

Grato por sua participação!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s