De Emile Durkheim a Foucault


A ação da Política Partidária na Educação de um país é profícua, afinal parte dela as diretrizes concernentes as ações transformadoras na sociedade. Esta concepção de que político é sinônimo de criminoso e incompetência é outra visão negligente da possibilidade de respeito a conhecimentos prévios à formação acadêmica. Ainda que alguns digam que na administração de uma Secretaria de Saúde deva estar um médico ou numa Secretaria de Educação uma pedagoga é inequívoco. Evidentemente, todos nós sabemos que o problema maior no Brasil não é a formação acadêmica do indivíduo… É lamentável admitir, falta na gestão dos organismos públicos: vontade. A vontade é minimamente compromisso com a sociedade em seu todo. Esta vontade é eufemismo para não enfatizar vontade de fé pública autêntica, honesta e verdadeira.

As estruturas básicas funcionam sem gestão? Não. Então, não seria a presença de um político no exercício de uma função na estrutura educacional o impedimento da estrutura educacional cumprir sua função eficiente de instrumento do estado a serviço de seus interesses e reprodução ideológica. A escola tem o seu papel… E é exatamente reproduzir o discurso dominante, os interesses da minoria abastada e elevada a parte alta da pirâmide ilustrada por Emile Durkheim, esta execução é efetuada mesmo sem a devida compreensão desta instrumentalidade portentosa e eficiente. Filosoficamente voltada para o bem e os valores instituídos pela ideologia situada na plenitude das decisões e dos poderes, a escola exerce a sua função fomentada durante séculos: ser estrutura física dos que governam.

Observe-se a estratégia maquiavélica de não valorizar a escola, creditando a esta toda falência em alguma esfera social de forma a mantê-la refem e sempre atuante na sua função de reproduzir e referendar os valores dos elevados ao posto de dominantes. Podemos dizer que esta corrente do bem (a escola), encontra oposição do mal. Enquanto a escola prega o conhecimento e a aplicação a seguir as linhas de sucessão proposta pelo conhecimento escolar, o mal propõe a evolução marginal utilizando as recompensas da criminalidade.

Quando consideramos o espaço escolar eficiente na construção de uma estratégia para enfrentamento das questões de respeito às diversidades e desigualdades sociais; temos que nos reportar a Michel Foucault que em suas palavras em Microfísica do Poder afirma: “A escola parece prisões” e cita Cooper: “A violência está no cerne do nosso problema”. Se estivéssemos dispostos a minimizar os problemas relativos a diversidade, deveríamos priorizar ações públicas voltadas a estas duas instituições: A escola e as prisões.

Nas prisões – urgente, urgentissimamente – adoção de revisão de sentenças penais e comprometimento com o monitoramento da saída de estabelecimento dos penalizados nos regimes semiabertos; na escola – criação e transformação das mesmas em escolas clubes. Se as cadeias são fétidas, as escolas nunca foram atrativas e hoje perderam para as lanhouses e a vida virtual.

Políticas públicas voltadas para a diversidade seriam desnecessárias se o Estado em suas organizações estivesse comprometido em fazer valer o artigo V da CF (Constituição Federal), respeitando fielmente cada princípio ali estabelecido. Isto, pois, uma sociedade educada, saudável, vivendo dignamente saber-se-á portar-se em sua vida social nos seus direitos e deveres e com a pessoa do outro. Não precisaríamos de investimentos em políticas públicas para ensinar o mais básico dos fundamentos da vida em sociedade: respeito.

Caetano Barata – Poeta, ativista cultural em Simões Filho, Conselheiro do CEPA.

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