Na necessidade, o assédio moral se justifica


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No capítulo, Os recursos para o bom adestramento, Michel Foucault pontua: “Adestra” as multidões confusas, móveis, inúteis de corpos e forças para uma multiplicidade de elementos individuais — pequenas células separadas, autonomias orgânicas, identidades e continuidades genéticas, segmentos combinatórios”.

Tomando como princípio um encontro inusitado, onde uma funcionária estava questionando, buscando conhecimento sobre a sua obrigação, imposta pelo patrão em estar presente no seu posto de trabalho no Dia do Trabalhador – um feriado no Brasil, 1º de maio.

Lembrei-me de Foucault propondo como adestrar as multidões confusas: manutenção da sua ignorância. O patrão tem uma ferramenta coercitiva e a utiliza, atingindo a multiplicidade dos elementos individuais. Afinal, ele está matando a fome desta pessoas e dando-lhe oportunidade de possuírem honra, “sem o seu trabalho o homem não têm honra…”, disse o Gonzaga Jr. Na hierarquia das necessidade propostas por Maslow, na sua base piramidal, estão incólume as necessidades básicas humanas.

Entretanto, não precisamos de genialidade para compreendermos que no Brasil, a máxima do trabalho livre forçado é mais comum do que podemos pensar. Jornadas intermináveis, horas extras abusivas, dobras inesperadas, algumas empresas certamente sacrifica alguém para estarem “24 horas online”. A jovem empregada estava com lágrimas aos olhos. Evidentemente, a mesma já estava com os tímpanos retinindo com tantas outras ameaças miúdas de sua incompetência e incapacidade de manter-se sem o dono do empreendimento. “Isto é uma espelunca, mas, você come do que ganha aqui…”, “Querida, anote aí, se você sair daqui, vai ralar muito para encontrar outro…”, “Sem mim nada podeis fazer…”, é o Jesus da salvação do trabalho dela. A ajuda encontrada pela jovem foi o reverberamento do discurso dominante e do medo de perder o emprego. “Amanhã é sua obrigação de trabalhar”. E, infelizmente, minha mulher, completou: “O Brasil tem que ter gente trabalhando para ir para frente.

Infelizmente, não tive coragem de dizer a jovem: “Mate esta vaquinha e seja feliz…” e a minha mulher e a ajudante de empregada desesperada, ainda vou dizer: “Continuem repetindo o discurso dominante, até a hora deles venderem o resto do país”.

Caetano Barata – Pedagogo, Poeta, ativista cultural em Simões Filho, Conselheiro do CEPA e estudante de Direito na UNIFASS/APOIO Villas.

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