Conta uma lenda antiga


pensar freire

Conta uma lenda antiga, quatro homens caminhavam pelo mundo e encontraram-se em determinado momento. Um monge, um vizir, um sábio indiano e um homem de aparência simples sem nada carregar.

Ao encontrarem-se foi estabelecida imediatamente uma discussão onde se tentava ver qual era o mais poderoso entre eles.
Um dizia:
– “Eu ando sobre as águas doces dos rios.
Já outro rebatia:
– “Eu transponho montanhas rochosas”.
O outro respondia:
– “Eu consigo jejuar por 42 dias”.
À Certa altura da conversa um deles virou para o homem de aparência simples e perguntou com desdém:
– “E tu, andarilho? Você nem deveria estar entre nós. Quais proezas és capaz de fazer?”
Ao que o andarilho respondeu humildemente e em tom brando: “Eu transformo animais em homens…”

É este o presente de aniversário que gostaria de oferecer para todos aqueles, insurretos nesta função de recriar uma revolução de consciência cultural e social, contrariamente ao paradigma da elite, reprimir para conduzir, adestrar para retirar empoderamento e consciência crítica de seus direitos. Levianamente, esta estrutura como exemplifico no texto O poder do hábito dos tratamentos na educação: “O professor é o cânon moderador destas relações, naturalmente, voltadas ao domínio, submissão e harmonia das relações subjugadoras. Muito bem explicitados em Vigiar e Punir; a educação hoje não pode mais entrincheirar-se na premissa de adestramento como podemos encontrar na obra de Foucault, para quem a escola-edifício deve ser um operador de adestramento, no capítulo Os recursos para um bom adestramento.

Qual a dimensão da tarefa essencial do educador? Deveria ser o desenvolvimento nos discentes de suas capacidades e habilidades, isto é, o senso crítico, o raciocínio analítico, para que eles possam individualmente empoderar-se e constituírem-se cidadãos atuantes e úteis à sociedade em que fazem parte.
O que não é tarefa essencial do educador? Não é funcionalidade do Educador avaliar quem vai ser ou não será bom profissional. Não está implícito em sua função: diminuir a autoestima, desestimular a participação ou construção própria de pensamento.

Em que isto se constitui? Ineficácia e obstrução de construção de pensamento. Entretanto, o edifício-escola está a serviço do estado, para formatar e conformar os indivíduos à sua ordem e impedir a formação de anomias. O docente mediano ou descomprometido com a formação eficiente de uma sociedade onde os indivíduos não sejam manobrados (CONDUZIDOS PELA IMPRENSA) não entenderão e confiantes permanecerão de que estão corretos no tripalium de suas funções.

De forma que repetir conteúdo como o edifício-escola nos ensina ser a correta funcionalidade de nossa educação é notadamente ineficaz e perante os resultados, os índices nos sistemas de avaliação e na hora do sufrágio universal, consubstancia-se a conflagração social. A escola pensa estar fazendo um grande favor, quando exige a repetição de conceitos e textos, entretanto, estas vãs repetições são permeadas de vigorosas controvérsias e irrelevantes, já que não promovem no cidadão uma constituição de caráter e personalidade elevados, indiscutivelmente, necessários no mundo.

Numa sociedade assassina como a nossa. Onde homens do sudeste completam o leite com bicarbonato de sódio ou soda cáustica; é indesculpável a conceituação de docentes tiranos, professores carrascos, onde alguns alunos quando consultam sua grade e contemplam o nome de determinado docente reluta em estar presente na escola-edifício naquele dia.

Assim, neste dia querido, desejo a todos vocês que ensinam: dança, esgrima, tiro ao alvo, música, matemática, pintura, arquitetura, informática ou qualquer outra ciência. Pensem, reflitam e perguntem-se: tenho sido instrumento para a constituição de uma sociedade melhor, com homens melhores, onde as oportunidades são isonômicas? Tenho sido modelo e exemplo a ser seguido, seja dentro ou fora do edifício-escola?

Caetano Barata – Graduado em Pedagogia pela Faculdade Metropolitana de Educação – UNIME. Professor de Xadrez, poeta, ativista cultural em Simões Filho, Conselheiro do CEPA – Círculo de Estudo Pensamento e Ação.Textos publicados no Jornal A Tarde, especialista na criação de blogs, estudante de Direito na UNIFASS/APOIO em Villas de Atlântico. Escreve em http://www.cepabrasilba.org.br, http://www.simoesfilhoemfoco.com.br e http://www.caetanobarata.wordpress.com.​

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