Por Caetano Barata: Getúlio, o filme.


No filme Getúlio, percebe-se notadamente a posição favorável à ideia de tentativa de assassinato e direcionamento da concepção e execução por homens do Palácio do Catete. Apesar de, não sei se devido às elucubrações surreais, ou devido a existência em meu imaginário, uma sombra de conspiração para destruir a presidência e forçar uma conflagração política e saída do presidente Vargas.

Desde o ano de 1988, conheço o ex-professor, aposentado da UFBA e da UCSAL, Germano Machado, octogenário, sempre contava com alegria as circunstâncias em que conheceu Carlos Lacerda. Em tom grave, apontava os erros do atentando da Rua Tonelero. Naturalmente, homens comuns não são afeitos a lançar mãos de ações extremadas como um assassinato. Sendo assim, não é possível pela gravidade do assunto extrair a opinião do nobre professor. Seria também, pitoresco em demasia situar um atentado interno, uma simulação de atentado dos próprios lacerdistas contra Lacerda.
O fato é que uma tentativa de assassinato ao jornalista Carlos Lacerda escreveu-se na história do Brasil. Cognominada “O Atentado da Rua Tonelero”. Podemos dizer que foi o antepenúltimo ato do governo Vargas. Num dia 05 de agosto, Copacabana, Rio de janeiro, número 180, noticiada em todo o Brasil em 1954. Ciente de que aquele crime seria utilizado por seu algoz ferrenho, o jornalista Carlos Lacerda continuamente, o qual, já utilizava o rádio para criticá-lo duramente. Vargas em 24 de Agosto comete suicídio. Deixando carta testamento para o povo brasileiro, leiamos trecho da mesma:

“Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o perdão.

E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate. Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História”.

Sobre os depoimentos e confissões dos envolvidos, numa simplificação, redundando as obviedades dos interesses, sem evidentes confrontação de depoimentos, o que não era praticado à época. Parece-me ter existido uma ideia fixa em derrubar o Presidente Vargas e estabelecer a tomada do poder pelos militares do país.

Apesar do filme Getúlio focar apenas nos fatos e consequências decorrentes da tentativa de assassinato de Carlos Lacerda, a vida do presidente tem muitas outras participações especiais a serem editadas, revistas, pesquisadas e talvez, assistidas pela sétima arte.

Caetano Barata – Poeta, ativista cultural em Simões Filho, Conselheiro do CEPA, Pedagogo formado pela UNIME – Lauro de Freitas e estudante de Direito na UNIFASS/APOIO Villas do Atlântico.

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