De Franz Gall a Castro Alves, até nós


Texto publicado originalmente em http://www.simoesfilhoemfoco.com.br – 22 Junho 2011.

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Afirmações necessitam provas concretas, é uma prerrogativa do Direito. Entretanto, farei afirmações às quais não são passíveis de provas. Os brancos odeiam os negros e vibram com suas derrotas. Quando podem e exercem poder sobre o homem negro trabalham até demonstrar a incapacidade e inferioridade destes, em detrimento da ética e da moral, propondo até que a defesa destes sejam ineficazes disparates da moralidade. Provam seus argumentos demonstrando que eles já chegaram, já conquistaram, já alcançaram e não precisam provar nada; ao contrário de muitos, vituperam em seus discursos. Somos tentados a concordar com Wallon, quando este afirma ser o homem “geneticamente social”, mas cairíamos na Antropologia Criminal em que chegou Cesare Lombroso, quando este tentou relacionar certas características físicas à psicopatologia criminal, ou a tendência inata de indivíduos sociopatas e com comportamento criminal, repetindo o físico alemão Franz Joseph Gall, em sua frenologia, no começo do século IX.

Sim, claro, somos obrigados a aceitar essas conjecturas. Mas, quando as afirmações partem como reação a uma tendência natural da sociedade dominante: evitar a mudança dos alienados das classes inferiores da sociedade para as superiores; a reação é evidentemente clássica, os racistas estão sempre lembrando essa questão de diferenças entre homens. Seria simples se o discurso fosse outro e não o costumeiro: “Nunca conheci nenhum negro honesto”, “Os negros sempre fazem alguma besteira” sendo eufemista. “Negros não devem compartilhar as mesmas oportunidades que nós brancos”; dentre tantas outras subliminares e óbvio imperceptível para quem costuma dizer: “Negro, procure seu lugar”; “Negro, o quer aqui?”; “Negro, médico, dificilmente vejo”; “Negros não podem frequentar os mesmos lugares que nós” e por fim, “Os negros são animais, fedem como bicho”.

O mais abjeto de todas as ações da sociedade hodierna é reputar aos negros o racismo, enquanto é racista e preconceituosa. Um outro lado dessa sociedade nos dirá: “Deixa isso para lá, você é polêmico e problemático”. Não, não é polêmica. Raça negra não é apenas uma questão de pele. O costume da nossa pátria é objetar como me fez um professor: “Observe como Salvador tem maioria de negros, mas nas lojas negros são minoria” e completou: “Você percebe como nossa escola é racista? Quantos professores negros existem?” E, eu pensava… Teremos que matar vários Freyres: “Todo brasileiro tem um pé na senzala” e “Todo brasileiro traz na alma e no corpo a sombra do indígena e do negro”. Brasileiros de nariz afilado, diplomados possuem avós com os pés rachados, tios crioulos mas, não se indentificam como negros. Os Racionais já cantaram em seu rap: “Paulo, acorda! Pensa no futuro! Os próprios pretos não estão nem aí pra isso não…”

Estão drogados com essas “branqueletudes”, avaliam erradamente suas vidas e são incapazes de estabelecer um novo critério de avaliação. Estão insensíveis ao terrorismo psicológico dessa sociedade racista, promíscua e imbecilizada. Simplemente, saciam-se com as migalhas generosas dos sorrisos e das brincadeiras nada ofensivas: “oh pretinho, moreninho lindo”; “Sua alma é branca”. Estão tão alienados quanto os racistas corrompidos geneticamente, viram seus pais e avós estabelecerem os critérios de avaliação e não conseguem despertar desse sono tragicômico. Seria uma realidade ufanista mas, entrou para a história da humanidade a invasão dos animais europeus na África, com ou sem as disputas tribais; os versos de Castro Alves nos brinda em Navio Negreiro:

“Presa nos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece,
Outro, que martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!”

Caetano Barata – Poeta, ativista cultural em Simões Filho, Conselheiro do CEPA, Pedagogo formado pela UNIME – Lauro de Freitas e estudante de Direito na UNIFASS/APOIO Villas do Atlântico.

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