A moriçoca de cada um


A noite foi longa. Seguida pelo zunir das moriçocas voando por todos os lados. O calor impedia tanto o bebê dormir, o pai e a mãe. Apagando e acendendo as lâmpadas, ligando e desligando o ventilador; os tapas ao ar tentando matar as moriçocas que as duas horas da madrugada já estava esgotando a última das mais difíceis tentativas de suportar o iminente fim da paciência.

A natureza na explica para que se vive apenas 24 horas. Por que é o que se diz do tempo de vida de tais insetos. O pai lembrou. Ainda não tinha tentado nenhum inseticida. Inseticidas, geralmente fazem mal aos bebês. O bebê já tinha o braço todo cheio de caroços das picadas despiedosas das moriçocas buscando o alimento.

Enquanto o pai ia até a despensa embaixo do armário buscar a lata de inseticida pensava:

“Quem teve a brilhante idéia de criar esses seres?”

Balançou a cabeça e concluiu em voz alta:

– Deus me livre, Deus me perdoe. Mas, não acredito que Deus fez esses seres insuportáveis e que querem se alimentar do sangue dos homens. Malditos chupa sangue. Verdadeiros sanguessugas.

Chegando ao quarto constatou que o filhinho e sua esposa dormiam. Voltou percebendo que o vôo de moriçocas o seguiu até a cozinha e agora voltavam para o quarto. Na entrada do quarto concluiu: alguém vai ter que ficar acordado e na sala tentando exterminar esses verdadeiros chupa cabras dos infernos.

Dormiu dando tapas nas pernas e no ar, deitado no sofá enrolado dos pés a cabeça.

Caetano Barata

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