Na Arena dos antropoides da Família Hominidae


O macaco César ergue o braço no clímax na ponte Golden Gate, em São Francisco: revolução dos bichos.
O macaco César ergue o braço no clímax na ponte Golden Gate, em São Francisco: revolução dos bichos.

Particularmente, considero existir no imaginário do brasileiro a concepção imagética de “liberação geral”, como aquela existente no carnaval; onde todos entendemos que em dias comuns, os homens não agarram as nádegas das fêmeas sem ser repreendido pela sociedade, dando-se o mesmo nos estádios, os quais, agora chamamos de ARENAS.

Certamente, podemos considerar os xingamentos às genitoras de auxiliares da arbitragem e a arbitragem mais históricos, mais ofensivos (particularmente, não vou a estádio, pois sei que o meu selvagem não suportará o impedimento “inventado” contra o Bahia ou o Vitória). A ideia de arena é a de liberdade, onde tudo é consentido e somos livres para gritarmos contra o outro, tudo o impossível e o inaceitável possível para retirá-lo de sua condição de equilíbrio emocional.

O que podemos mais extrair desta ideia?

A cultura americana de marcar o outro com apelidos em algumas circunstâncias, certamente, já redundou em crime. Desde quando alguém, naturalmente, aceitará ser chamado de “cara de cobra”, “cara de jacaré”, “cara de jegue”, “nariz de bozo”, “barriga de pochete”, “nariz ladrão de oxigênio”, “grande à toa”, “Panga”; para não chamar “pangaré” ou “aranha” e “macaco”? Naturalmente, a reação depende do contexto em que ela está inserida, o ambiente e as circunstâncias em geral.

Cada um tem direito a reagir?

Quando alguém afirma que quem cala consente, contraria, a normatividade do direito de permanecer em silêncio. Ao que alguns, em especial, consideram ser a melhor e mais oportuna medida de resposta. Certamente, essa tenha sido a opinião do “Rei Pelé”. É um adágio antigo, e, naturalmente, não cabe discutir com a tradição. “Quando pessoas ignorantes querem alardear sua ignorância, você realmente não tem de fazer nada, só deixá-las falar”, acrescentou Obama, que qualificou as declarações de Donald Steling, como “incrivelmente ofensivas” e “racistas”. Atrelo a este conceito a particularidade: quando a discussão está permeada de legalidade, validade e boa-fé, além da lisura no processo, é pertinente a reivindicação dos próprios direitos. Em suma, se o sistema não está corrompido, o direito do lesado, certamente, será respeitado. Transformando a reação em legítima.

Quem é o culpado?

Gosto da ideia proposta pela Vitimologia. Aranha é vítima ou culpado? Alguns numa estratégia dialética querem mudar o foco da problematização, movendo o foco para a reação humana do profissional no exercício de seu trabalho. Entretanto, Aranha é um agente passivo daquilo que os vitimólogos chamam de Vítima Coletiva, isto é, quando certos delitos lesionam ou põem em perigo bens jurídicos cuja titularidade não é a pessoa física. Destacando-se, assim, o anonimato, a despersonalização, a coletivização; estabelecendo-se a dúvida entre vitimador e vítima; onde a última, pode ser uma pessoa jurídica, a comunidade ou o próprio Estado.
Evidentemente, sem a mídia. Sem a TV com seus sistemas de captação das imagens de novíssima geração, não seriam constituídas prova do evidente fato delituoso. Lembrando, nem haver existido pelos responsáveis pela disputa esportiva, oitiva e muito menos validação das alegações de Aranha, até então, vítima.

Existiu ali, não uma afronta simples, à concepção de raça, onde a mesma, já está intrinsecamente vilipendiada, mas, também toda a nossa celebração de nação da diversidade, da pluralidade, da miscigenação e do respeito a estas características tão marcantes em nosso país. Relembrando, se é que é possível esquecermos: Darwin e sua abordagem: Origem das espécies e a existência de uma única raça: a Humana. É um momento de reflexão.

São as minhas alegações, frente as palavras de Pelé sobre a reação do jogador Aranha em badaladíssima ação de parte da torcida gremista aos urros dos antropoides da Família Hominidae.

#SomostodosHominidae#

Caetano Barata – Poeta, ativista cultural em Simões Filho, Conselheiro do CEPA, Pedagogo formado pela UNIME/Lauro de Freitas e estudante de Direito na UNIFASS/APOIO.

Anúncios

2 opiniões sobre “Na Arena dos antropoides da Família Hominidae”

  1. Deus abençoe e ilumine sua cabeça, você e toda sua família para que possa continuar refletindo sobre o ser humano.
    Podemos nos tornar cada vez melhor.
    Recomendarei você a meus amigos.

Grato por sua participação!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s