E que consciência é essa…


Quando o Senador Magno Malta argumenta que aceitar a ideia de opção de homoafetividade é dar margem a lei aceitar a pedofilia, necrofilia e outros gostos. Concordo plenamente com o Senador. É como muitos acham correto a ideia de preconceito racial numa pátria de mestiços e “bota” mestiço nisso. O Brasil é uma mistura tão profunda que é bobagem qualquer satisfação genética. Já refutava o mestre de Casagrande & Senzala: todos temos um pé na senzala, referindo-se a ascendente negro e em muitos casos índios.

Acho engraçado essa ideia de racismo e consciência negra, num país de mestiços e pobres, no mínimo ridícula. (como muitos fazem, usem essa frase e interpretem todo o texto, é comum em baianos e brasileiros!!!). Todos sabem que o preconceito brasileiro é socio-financeiro. Tenho que me esforçar muito pra continuar falando de tema tão infame e atualizado às custas de um Presidente mais branco do que negro. Negro que tem oportunidade de estudar? Negro que tem dinheiro pra pagar faculdade? Negro que tem dinheiro pra sustentar sua família? Negro que tem dinheiro pra ter carro? Negro que tem dinheiro pra casar com uma negra advogada? Assim, continuamos a lista de perguntas. Não pela condição de ser negro. Mas, pela condição social de pagar suas contas e existir… Quem tiver condições financeiras de me entender, que entenda!!! Espero que pobres índios, brancos e negros tenham condições de ler essas linhas.

Conheço inúmeros brancos em condições sociais piores do que a de muitos negros. E que consciência é essa que tão contraditamente nos querem enfiar na cabeça? É o término da prática atual. A prática atual é: todos tem direito a sua opção. Todos tem o livre arbítrio. As pessoas não são obrigadas a nos dar oportunidade (antigamente, não tão antigamente: os anúncios de empregos viam seguidos de características de altura e outras nuances que até dá náuseas falar).

Será que já superamos isso?

Entretanto, cada um tem o direito de querer o que quer. (É com essa ideia que querem nos comprometer). Existem mulheres que não se relacionam com negros. Existem homens que não se relacionam com negras. E admitem que são racistas. Tem sogros que não querem genros negros, sogras que não querem noras negras. E assim a dialética continua…(cada um tem o direito de querer o que quer.) Dizem que gosto não se discute. E é verdade, eu também gostaria de pensar assim. Mas, e quando querem impor gostos esquisitos aos outros?

Quando as ideias partem para limpar a humanidade da raça negra, aí já descamba para a ignorância e intolerância. Aí sim, é necessário mecanismo de punição e de inibição dessas ideias. E imaginem, no Brasil, existem esses grupelhos de pseudos-brancos-arianos-puros… Ainda bem que Dom Manoel mandou para terras brasileiras, mulheres europeias que não aguentaram observar os negros voltando com seus feixes de cana de açúcar, e os portugueses não aguentaram ver as índias e as negras. Foi instituído o fim da pureza em todos os sentidos e um desafio a todo brasileiro nascido em terras brasilis – o de se sentir mais puro do que o negro alforriado antes da Lei Áurea. Viva a Princesa Izabel que assinou e nos libertou da senzala do senhor.

19 de novembro de 2014, vou vestir branco e vou ao pelourinho visitar o ateliet de Bida. Viva a liberdade de pensar. Cada um ame a quem quiser e seja feliz ou sofra. Problema de cada um.(É com essa idéia que querem nos comprometer).

Caetano Barata – Poeta, ativista cultural em Simões Filho, Conselheiro do CEPA, Pedagogo formado pela UNIME/Lauro de Freitas e estudante de Direito na UNIFASS/APOIO. Articulista em http://www.cepabrasilba.org.br e www.simoesfilhoemfoco.com.br.

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