Do Direito a Liberdade de Pensamento à prática da Docência consciente


A conclusão do relatório Delors para a ONU, foi editado em livro cujo título é: “Educação: Um Tesouro a Descobrir“, publicado em 1999 e republicado em 2012, na 7ª edição pela Editora Cortez. Do texto, tornou-se famosa a expressão OS PILARES DA EDUCAÇÃO PARA O SÉCULO XXI, os quatro pilares são sempre ventilados em Congressos, palestras e salas de aula. Considerados os fundamentais direcionamentos da educação: aprender a conhecer (instrumentalizar-se de elementos cognitivos voltados a compreensão), aprender a fazer (capacidade atitudinal), aprender a Conviver (estabelecer vínculos, viver juntos, capacidade cognitiva das relações interpessoais), e finalmente, aprender a ser (no qual, está intrínseco todos os outros conceitos).

Não podemos discutir a prática pessoal, única, individualizada de aprender a conhecer, a fazer, conviver e ser. O que podemos discutir? O que está a nosso alcance na prática da Educação seja no ensino Básico, Fundamental e Superior. Sejamos nós, discentes ou docentes, estamos todos, responsáveis, no processo de ensino-aprendizagem. Ainda sendo, para alguns, uma ficção inoportuna, um ensino médio melhorado, é também, privilégio indiscutível na competição das vagas nos cursos de nível superior.

Foto de http://www.diariodocentrodomundo.com.br

Obviamente, alguns fazem coro com aquele Professor do Departamento de Economia, o senhor Manoel Luiz Malaguti, o qual, explanou que “o nível da educação está tão baixo que o professor não precisa se qualificar mais para dar aula, já que a maioria dos cotistas são negros, pobres, sem cultura e sem leitura, são analfabetos funcionais”.

Evidentemente, o senhor Malaguti está referindo-se a sua inconteste incapacidade de produção intelectual e motivacional dos seus próprios alunos. Referindo-se, tão somente, à sua prática na docência. Os docentes, em sua maioria, certamente, não fazem coro com esta indiscutível instrumentalidade da parte compreendida por Michell Foucault, ao serviço dos vários sistemas de poder e conformação, o que podemos ler em Microfísica do Poder; somos nós também, atuantes nestas práticas para conformação do cidadão ao menosprezo de si, da sua posição, da sua opinião em detrimento do pagamento realizado pelo sistema de quem está por cima, isto é, serviço e submissão do poder; reverberando do pensamento foucaultiano, um instrumento de dominação e controle destinado a suprimir ou domesticar os comportamentos divergentes.

Não se discute a formação do docente, o que discute é a incapacidade da prática da docência pelo referido doutor em Teoria Econômica pela Universidade de Picardie, na França, Malaguti sendo professor da UFES – Universidade Federal do Espírito Santo, desde 1995, deve saber a proposta de Delors, com relação a Conviver, ser, fazer e aprender. Isto é, falta-lhe, a alegação de que a discussão é simbólica, mas, o mesmo parte para a vida. O mesmo ainda completou, naquilo que poderia ser uma defesa de sua ótica:

“No meio de uma discussão sobre cotas e o sistema educacional, eu coloquei que se eu tivesse que escolher entre dois médicos, um branco e um negro, com o mesmo currículo, eu escolheria o branco. Por que que eu escolheria o branco? Os negros, em média, vêm de sociedades, de comunidades menos privilegiadas, para a gente não usar um termo mais forte, e nesse sentido eles não têm uma socialização primária na família que os tornem receptivos aos trâmites da universidade, à forma de atuação da universidade, aos objetivos da universidade. Eles têm muito mais dificuldades para acompanhar determinadas exposições. Eu não acho que é uma visão preconceituosa, acho que é bastante realista”, disse.

O Professor, Doutor Malaguti está certo? Sim, estaria se esta visão não fosse uma visão generalista e descartada no século XIX, quando a Criminologia abandonou, descartou a Frenologia como ciência séria e possível. A concepção do pensamento de Franz Gall era a tentativa da sociedade em proteger-se da deliquencia do crime e do mal. Uma tentativa inútil em defender-nos da personalidade do homem mal.

O professor, Doutor Malaguti completa seu argumento: “Então eu dei o exemplo do médico, mas não nesses termos que eu detestaria, nunca falaria algo parecido. Eu diria simplesmente e reafirmo que dois médicos com o mesmo currículo, com a mesma experiência, só que um negro e um branco, em função da possibilidade estatística desse médico branco ter tido uma formação mais preciosa, mais cultivada, eu escolheria um médico branco. Mas como um exemplo do que a sociedade faz…”

O insigne propedeuta refere-se a sua argumentação, no caso fictício, criado por ele, responsabilizando a sociedade. É indiscutível, o professor está fazendo ampliação indevida, uma estratégia da dialética de Schopenhauer para vencer uma argumentação. Entretanto, ainda que o professor não prefere ser atendido por um médico negro ou advogado também negro; culpando a sociedade brasileira por não oportunizar ao negro as mesmas condições que os brancos (leia-se: Caetano Barata comunga com Gilberto Freyre, todo Brasileiro tem um pé na senzala, sendo assim, somos todos mestiços…). O mesmo deveria referir-se ao indivíduo da cota, sendo assim, talvez, não cometeria o mesmo erro de muitos, em afirmar, “o criminoso é sempre oriundo dentre os pobres e negros”. O propedeuta estaria cometendo crime de racismo, talvez não, depende da interpretação de foro íntimo; ao invés de legitimar a existência das cotas, afinal, se com desigualdades na educação básica e fundamental, tão poucos, sem estas benditas cotas chegam a formar-se, compreendam que sem essas cotas a desigualdade aumentaria e muito.

Não sou defensor de cotas, sou defensor de igualdade para todos. Não posso dormir no berço esplêndido da utopia, deveras, aqui ou acolá, um negro com família de pobres ousados, de pais esforçados, com apoios de tios e tias poderão formar-se; conhecer inglês, alemão, espanhol, natação, instrumentos musicais e xadrez. O que para alguns é paternalismo de fascismo de esquerda, para mim é o que temos. E o que temos é o que importa. E, é bem como diz MV Bill em Marginal Menestrel: “Deixe o moleque cantar, deixe o moleque sonhar. Não é tudo que o seu dinheiro pode comprar. A gente fica com nada da riqueza gerada. Sofrerão as consequencias da miséria criada…” Parece-me, faltar na formação da docência do senhor Malaguti: foro privilegiado e competência para exercício da liberdade de expressão com consciência crítica…

Caetano Barata – Poeta, ativista cultural em Simões Filho, Conselheiro do CEPA, Pedagogo formado pela UNIME/Lauro de Freitas e estudante de Direito na UNIFASS/APOIO.

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