Dialogando com Foucault sobre a verdade aparente


homem humanismo - foucaultÉ muito comum, na nossa postura societária, o estabelecimento de juízo de valores sem conhecermos. Sem profundidade ou superficialmente, baseados em nossos preconceitos. “Achismos” não é ciência, não possui validade científica para exercícios de factível de valores particulares ou reais. Em Microfísica do Poder (2000), podemos encontrar um conceito bastante pertinente do sociólogo Foucault: “Por “verdade”, entender um conjunto de procedimentos regulados para a produção, a lei, a repartição, a circulação e o funcionamento dos enunciados. A “verdade” está circularmente ligada a sistemas de poder, que a produzem e apoiam, e a efeitos de poder que ela induz e que a reproduzem. “Regime” da verdade”.

A roupa hipócrita utilizada pela mentira, travestida de verdade aparente a muitos engana. Leva-nos a pensar, a despeito da compreensão de forma prática que toda verdade sugere um julgamento, descarte de princípios falsos, o que redundará em punição para o que foi descartado. Nos remetemos a Foucault: “A verdade é que punir, atualmente, não é apenas converter uma alma”, em contraposição ao princípio de Mably: “O castigo, se assim posso exprimir, fira mais a alma do que o corpo”. Evidentemente, alguns são como “rochas submersas, suas consciências estão carcomidas…”. Não lhes causam remorso, nem arrependimento nenhuma forma de castigo. Não são punidos…

Travestem suas mentiras com a mais pomposa roupa de verdade e em suas reuniões solenes desistem de suas convicções. Como bem figura Foucault em Vigiar e Punir (1999): “E, com isso, começaram a fazer algo diferente do que julgar. Ou, para ser mais exato, no próprio cerne da modalidade judicial do julgamento, outros tipos de avaliação se introduziram discretamente modificando no essencial suas regras de elaboração”.

Isto é, seus interesses são feridos, são dilacerados. Ainda ouvindo o grito da verdade aparente, gemendo: “Sou uma falsa verdade!” Entretanto, é tarde demais para recobrar um pouco de coragem em desligar os aparelhos da mentira. Temem a nudez da verdade, refutam decididamente encarar a verdade. Afinal, os interesses pessoais agora, estão ameaçados.

Caetano Barata – Poeta, ativista cultural em Simões Filho, Conselheiro do CEPA, Pedagogo formado pela UNIME/Lauro de Freitas e estudante de Direito na UNIFASS/APOIO.

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