Dos Black Blocs até nós…


Imagem extraída de http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/tags/black-blocs/

De 2013 até hoje, foram muitas surpresas digeridas, algumas surpreendentes como a manifestação batizada de MPL (Movimento Passe Livre). Ao final, um ruído de Impeachment (pron. IPA: /ɪm’pitʃmənt/) ou impugnação de mandato contra a presidência brasileira, brado de retorno ao Regime Ditatorial nas costas da eleição. Quando Ricardo Setti, disponível em sua coluna na VEJA Online, compôs no título: O bando dos Caras tapadas – quem são os manifestantes baderneiros do black bloc, que saem às ruas para quebrar tudo… Já desnudava, evidentemente, não era um movimento constituído por pobres e a motivação particular ou coletiva do movimento, em breve, certamente, se desnudaria como uma farsa. Ao concretizar-se a reeleição petista em 2014 para mais um exercício, formou-se nas redes sociais um grande tsunami contrário aos “cabeças-chatas”, foram responsabilizados os nordestinos e “mazeladas” as políticas sociais de arrefecimento das desigualdades econômicas no país, como os principais responsáveis pela aprovação apertada da continuação da primeira mulher na presidência do Brasil. Durante as práticas de vandalismo dos black bloc em seus argumentos contrários aos aumentos das passagens brasileiras, muitos nordestinos, valorizavam as ações e batiam palmas, enquanto seus momentos de ir e vir ao trabalho eram transformados em verdadeira batalha campal. Ônibus atrasados, outros depredados; estabelecimentos modestos de outros nordestinos destruídos; outros nordestinos apedrejados. Certamente, roubos, sequestros, estupros e mortes de pessoas consideradas menos importantes. Toda esta disputa para exigir a instalação de um novo capitalismo ou um capitalismo igualitário. Todo este sentimento de unidade brasilis, toda esta retórica em favor da valorização do corpo humano explorado pelo esqueleto do sistema financeiro nacional e internacional, não se encaixa na execração da majoritária explorada em verdade. É quase uma “ingnorância”, fazer-se de esquecido, quanto a quem fez força no sudeste, virando massa e concreto nas forças dos braços: “Está vendo aquele edifício, moço? Ajudei a levantar…”. Um movimento encorpado por indivíduos da classe média e alta brasileira, usando suas roupas de grife, indo aos encontros em veículos de luxo, com câmeras de última geração, sincronizados instantaneamente com as mídias sociais. Por fim, financiados pelos ricos da elite pensante, como poderiam, verdadeiramente, defender um padrão, ao qual, eles mesmos costumam dizer: “Quem tem filho de bigode é gato e Quem tem filho grande é elefante” ou ainda, “Ema. Ema. Ema: cada um com seu problema”. Em suma, mais uma vez, nestes tempos de agonia ideológica, tentaram roubar-nos o único bem possível: O respeito por quem somos.

Caetano Barata – Poeta, ativista cultural em Simões Filho, Conselheiro do CEPA, Pedagogo formado pela UNIME/Lauro de Freitas e estudante de Direito na UNIFASS/APOIO.

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