Juventude quiçá toda perdida


Sociedade-do-EspetáculoQuando Edson Gomes cantava, canta ou cantar: “Juventude toda perdida”, podemos concluir, não radicalmente, está comprometida moralmente a sua base, também. Afinal, perguntaríamos: quem está construindo esta sociedade inequivocamente comprometida para uma juventude perdida estabelecer-se amanhã, enquanto, uma sociedade humana, evoluída, harmonizada e feliz? Citado por Robert Kurz no livro Os últimos combates, Alexander Schuller afirma em seu livro sobre o “Renascimento do Mal”: “Não é mais o progresso e a razão que povoam nosso cotidiano e nossa fantasia, mas sim o mal”.

Emburreço-me em ver esta pseudoelite sentindo-se apta a conjurar uma execração de posturas obviamente preconizadas por inúmeros avatares. Estes avatares calam-se, quiçá, envergonham-se de exercer o mandato invertido do direito de defender o argumento elitista: nós podemos, eles não! Em suma, tudo nosso, nada deles! Expressão cunhada como o slogan da favela emergente, de forma a definir um status quo, evidentemente “novo”. Ser favela, ser comunidade, ser gueto no Brasil é fazer parte de uma elite com voz, com empoderamento, audácia e representantes.

Infelizmente, nas inocentes rodas de conversas, usa-se sempre a 38 oitava estratégia da dialética erística, parte-se para “ofensas pessoais”. A ofensa feita ao artista é aquilo que Robert Kurz chama de “Os intelectuais estetizam a miséria e a exploram comercialmente; os sofrimentos daqueles que passam fome são transformados em publicidade”. Os artistas de hip hop, funk e pagodes da Bahia são acusados de não representar fidedignamente o povo, mas, explorar as suas necessidades para promover sua música e sua própria imagem. O artista não representa, não é voz. O artista pode até ser parte desta ou daquela estrutura social, membro de ou daquela coalisão criminosa. Entretanto, não se pode ilusoriamente atribuir a uma pessoa ou grupo a capacidade de em pouco tempo corromper, mover, promover investimentos de milhares ou milhões para desfazer, refazer, condizer ou fazer pensar sobre a sociedade baiana e brasileira.

Por outro lado, contradiz aos princípios legítimos do Estado democrático de Direito o impedimento do exercício da arte e do livre pensamento à concepção de que o artista, advogado, jornalista ou escritor leigo, por defender o direito de defesa de todo traficante preso, sem a sua execução sumária, seja a favor do tráfico livre de drogas ilícitas. Bem como, a oitiva informal de advogados defensores de réus, por Magistrados, estejam sujeitos a lapso impeditivo no ordenamento jurídico. Ou, aquele que não se considera representado por este ou aquele artista não se sinta inteiriço nesta sociedade tão diversa, tão brutal, tão injusta, tão complexa, quiçá toda perdida.

“E, manda o povo pensar”!

Caetano Barata – Poeta, ativista cultural em Simões Filho, Conselheiro do CEPA. Pedagogo formado pela UNIME/Lauro de Freitas e estudante de Direito na UNIFASS/APOIO.

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