Afinal, a quem serve a nossa ideologia?


politicaQuando os rumos de impeachment são cantados em versos e prosas por políticos da oposição, e antigos ou novos oposicionistas; partidários recém saídos do PT; ruge em linhas fronteiriças uma exacerbada vontade de exigir Justiça para satisfação de todos: “roubados, enganados, traídos, empresários falidos que não foram convidados, amigos de políticos que ficaram de fora, afetos covardes, desafetos odiosos, politicardes puritanos…

Poderíamos, a partir desta relação ainda, estabelecermos, a necessidade de repensarmos as relações de vingança proposta em nossa noção de Justiça, afinal: “quando grupos particulares de agentes possuem poder de uma maneira permanente, e em grau significativo, permanecendo inatingível a outros agentes, ou a grupos de agentes, independente da base sobre a qual tal exclusão é levada a efeito”. (Thompson, 1995, p. 80); significando que não importa a sigla ou o representante civil ou militar a assumir; existe uma maioria a estar subjugada aos interesses nacionais e internacionais.

As condições simbólicas de nosso pensamento, sempre estarão atreladas a história da humanidade. Poderia citar as condições exigíveis de indenização dos descendentes de escravos. Descendentes de escravos ascendem na sociedade, após grandes marcas, muitos destes ou são ajudados por pares ou são elevados por abolicionistas brancos da atualidade. Mas, os não abolicionistas, não aceitarão financiamento público para estudantes negros. Desta forma, um exemplo menos paradoxal, entretanto, eficaz para complementação de meu pensamento. Desde a criação do programa FOME ZERO, para onde teriam sido desviados sem a implementação deste? Ou para onde seriam desviados os milhões investidos no PROUNI e no Bolsa Família?

Observemos que não existe empresa mais producente de cultura em geral na sociedade brasileira, igualmente, a PETROBRAS. “Analisar instituições sociais é reconstruir os conjuntos de regras, recursos e relações que as constituem, é traçar seu desenvolvimento através do tempo e examinar as práticas e atitudes das pessoas que agem a seu favor e dentro delas”. (Thompson, 1995, p. 367). Sobre a PETROBRAS dá-me a entender, em devaneio, elucubração tola, existir uma tentativa de desvalorização da empresa para efetivação de um grande negócio para grupos internacionais.

Muitas vezes, as pessoas referem-se a Justiça pela glorificação de sua autoridade: fazer o mal, matar, banir. Esta propositura de impeachment da presidência brasileira hoje, citando expressão cunhada por Foucault, serve apenas para satisfação da ideia e do prazer tão em moda com “os rituais modernos de execução capital…”

Entretanto, a sensação estabelecida com a propositura de impeachment da presidente Dilma, estabelece um vínculo muito pertinaz na sociedade brasileira: A compreensão de existência da independência e dependência entre os poderes. Assim, os homens comuns compreendem não existir liberdade irresponsável na gestão dos bens públicos; na qual, os simples compreendem a administração pública como extensão de seus bens; bem como de bilhete de loteria ou aposentadoria certa.

Por fim, tantos homens públicos e empresários caminhando na direção dos plenários a produzir explicações, produzem na sociedade brasileira a sensação de existência de estrutura eficaz, sólida e ilibada para questionar os erros e vinga-los de ter seus bens espoliados. O que é indiscutível, afinal, nos anos 90 coexistia na concepção do homem brasileiro a lógica fundada em exemplos de que a Justiça brasileira é humana, “tarda e ainda falha”, é em seu maior leque de impetração contra pretos (pois, a sociedade dominante não interessa-se no fortalecimento ideológico do homem e mulher da raça negra no Brasil) e, pobres. Podemos dizer: hoje é menos assim!

Argumentos de defesa para a continuação do exercício da Presidente Dilma são tão claros quantos os erros do governo Lula. Afinal, não se pode condenar os pais pelos descaminhos dos filhos, culpar a dona da casa pelos empregados que roubam toalhas, sabonetes e pequenas coisinhas em seus locais de trabalho. Não se pode culpar a dona da casa pela ausência da babysitter, com os dedos nas redes sociais, não defende a vida do herdeiro da casa. Torna-se tácito o argumento jurídico, sou responsável, mas, não tive a intenção de fazer mal algum. É a dialética dos que ganham juntos e se a derrota apresenta-se, perdem juntos também. Afinal, todos sabem, na política quem manda é quem tem mais prestígio, e, no Brasil, o prestígio é do atual ex-presidente, Luiz Inácio.

Caetano Barata – Poeta, ativista cultural em Simões Filho, Conselheiro do CEPA. Pedagogo formado pela UNIME/Lauro de Freitas e estudante de Direito na UNIFASS/APOIO.

THOMPSON, John B. Ideologia e cultura moderna. Rio de Janeiro: Vozes, 1995. Disponível em: <http://www.uamenlinea.uam.mx/materiales/licenciatura/diversos/THOMPSON_JOHN_B_Ideologia_y_cultura_moderna_Teoria_critica_s.pdf&gt; Acesso: 01/mar. 2015

 Foucault. Michael. Vigiar e Punir: O nascimento da prisão. Rio de Janeiro: Vozes, 1999. Disponivel em: <https://comunicacaodasartesdocorpo.files.wordpress.com/2013/11/foucault-michel-vigiar-e-punir.pdf&gt; Acesso: 01/mar. 2015

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