Ele não fez por mal, fez por cultura


Capa do livro de Pierre VergerOh! Doce imaginário europeu incutido subliminarmente em nós. A Bahia é terra de negros – Terra da PREGUIÇA. Pierre Verger chegou aqui e constatou em Fluxo e Refluxo (Em 1966, Fluxo e Refluxo foi apresentado na Sorbonne, em Paris, que atribuiu a Verger – um autodidata que foi expulso duas vezes das salas de aula por indisciplina e parou de freqüentar a escola aos 17 anos – o título de Doutor em Estudos Africanos) que a África está aqui com toda a sua cultura. Pierre Verger saiu da França e foi residir na África onde se tornou Sacerdote de Ifá. Na Bahia ele constatou que tudo da África tinha vindo para Salvador na “diáspora negra”. A piada de Flausino é apenas uma apendicite deste novo momento nacional negro.

Certamente, fazer piadas com negros seja uma das mais cruéis e doces condições deste momento metafórico no imaginário branco. Não é crime, pois fazemos piadas com loiras, papagaios, etc., etc.. Para não sermos processados já que não existe uma associação de loiras, não que eu saiba, nem de papagaios, também acho que não. A temática da preguiça baiana foi legitimada por artistas baianos, sim, nós sabemos, o estereótipo macunaímico da baianidade foi marketing legítimo e positivo para aqueles que assim entenderam. Em Xadrez das Cores, Marco Schiavon ilustra a condição negra no ideário e na realidade de muitos brancos. Racistas? Não. Educados que negros sempre cometem erros, a incompetência, a fraude e o malogro são os responsáveis pelo sucesso da raça negra. Neste ideário o negro é lixo. É escória, fede, é o berço das enfermidades e responsável quando endemias e epidemias abraçam a sociedade brasileira branca.

Com o advento da força da internet. Sempre encontro pessoas incomodadas com o assédio de sulistas sobre o tema da conectividade dos baianos. Baianos sempre conectados, sempre online. A priori, é lamentável que as pessoas encontrem tempo para perder tempo analisando a vida dos baianos. E, infelizmente, alguns baianos incomodam-se com esta preocupação. Um jornalista indeferia a existência de um blog, elevando o argumento de que falta originalidade e personalidade para exercer a atividade de blogueiro. A eloquência do mesmo não é espantável é o eco da ideologia nazista e ditadora dos governos incapazes de lidar e negociar com a voz da rua, da marginalidade e do povo. Argumente-se em vão, entretanto, imprescindível argumentar que antes um revolucionário armado de caneta e papel (teclado, blog e mouse) do que um revolucionário armado de capacete e fuzil. Esta gente que pensa, conclui que estamos na saudosa ditadura, onde “Pai, afasta de mim este cálice”, estava mais para “Povo, nos livre deste governo” do que para “Pai, eu quero salvar-me apesar de beber do vinho do pecado”.

Caetano Barata in versos facebookianos de ELE NÃO FEZ POR MAL, FEZ POR CULTURA.

http://g1.globo.com/bahia/musica/noticia/2013/09/jota-quest-e-vaiado-em-show-ao-dizer-que-baianos-nao-trabalham.html

O Xadrez das Cores

https://www.youtube.com/watch?v=ZfrSAmf-aeg

Caetano Barata – Poeta, ativista cultural em Simões Filho, Conselheiro do CEPA. Pedagogo formado pela UNIME/Lauro de Freitas e estudante de Direito na UNIFASS/APOIO.

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