Todos numa luta renhida de alimentar a prole


acarajeEsta discussão toda sobre a venda da culinária baiana, em especial do acarajé, para mim é um grande exercício de marketing. Gosto de marketing…. Vou amar mais ainda, se algum gênio do marketing conseguir me provar que os pobres evangélicos levam alguma vantagem neste negócio…. Lembro que nós negros erguemos uma Igreja Católica com o nome de Rosário dos Pretos e Santo Antônio Além do Carmo. Será que os fidelizados às ordens da época foram contrários? (A Igreja construída com o suor e sangue dos alforriados e livres de nossa raça transformou-se em Hotel e nós calados).

O trabalho de vender o alimento é uma estratégia do povo negro. O alimento é sagrado! Comer é sagrado! O que já disse e já escrevi muitas vezes… Vou dizer de uma forma diferenciada: A Bahia é o que é graças a convivência sangrenta entre os pobres e esfomeados… Entre os milésimos de ricaços folgados e “los pobrecitos” ousados… Todos numa luta renhida de alimentar a prole.

Proponho a leitura do livro: Os Rosários dos Angolas – Irmandades de africanos e crioulos na Bahia Setecentista – é livro de Lucilene Reginaldo, um pequeno livro de 399 páginas. Eu sou evangélico e degustarei sempre abará e acarajé! Essa tentativa de nos colocar uns contra os outros é ridícula!

E, para não ser politicamente incorreto…. Pensa minha gente! É como aconteceu nas primícias brasilis: O povo da roça utilizava a cabeça: Bolo de aipim, cuscuz de tapioca, cuscuz de milho, queijada, cocada…. Além do mais, a leitura mesmo pífia nos dirá que o acarajé dos Iorubás da África ocidental (Togo, Benim, Nigéria, Camarões) é semelhante ao Falafel árabe levado pelos árabes para a África nas diversas incursões durante os séculos VII a XIX. As Favas secas e Grão de bico do Falafel foram alternados pelo feijão-fradinho na África.

O acesso às roças e outras atividades desenvolvidas no interior dos engenhos, ainda sob a escravidão, serviram para moldar expectativas de liberdade e determinados setores da população escrava. Depois de abolida a escravidão, os ex-escravos que tinham acesso àqueles recursos buscaram assegurar o que haviam acumulado ao longo da vida cativa (FRAGA, 2006,p. 44).  De certa forma, somos todos irmãos figurantes de um mesmo drama: saciar a fome de nossos filhos.

 Digo isto, pois, para lembrar que devemos ter no coração: amor, boa vontade, humildade, bondade e respeito. Um certo Bob Marley no desafiou: “Acredito na liberdade para todos; não apenas para os negros”. E, replico isto, para lembrarmos que tudo vem da terra que Deus nos deu.

Caetano Barata – Poeta, ativista cultural em Simões Filho, Conselheiro do CEPA. Pedagogo formado pela UNIME/Lauro de Freitas e estudante de Direito na UNIFASS/APOIO. Escreve em http://www.simoesfilhoemfoco.com.br

Licença Creative Commons
Pensando & Expressando Opinião de Caetano Barata está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em https://caetanobarata.wordpress.com/.

Anúncios

Grato por sua participação!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s