O Estatuto da Igualdade Racial comemora 5 anos de assinado


estatuto da igualdade racialO Estatuto da Igualdade Racial, Lei 12.288/2010, completa nesta segunda (20/07), cinco anos de vigência. A construção ideológica da democracia racial brasileira passa imediatamente pela desconstrução de conceitos, concepções, visões e ações da sociedade dominante. A priori, basta lembrar, em 30 anos a personalidade negra era vista na TV minimamente, os papéis relevantes eram o delegado (sempre, o baiano Milton Gonçalves); nas vagas de trabalho era exigido “boa aparência”.

No carnaval da Bahia, as agremiações carnavalescas eram divididas entre blocos para brancos, pipocas e bloco afros e de índios (para negros). A construção ideológica de democracia racial na Bahia se estabeleceu devido a capitalização dos artistas da axé-music. A construção musical de Ilê Ayiê e Olodum com canções valorativas da pessoa e da identidade do homem negro baiano, brasileiro e africano indiscutivelmente, asseverou a construção de uma base, à qual, está sustentada a sociedade soteropolitana.

Hoje, nós podemos dizer, a construção das produções capitalistas modificou o discurso das entidades negras na Bahia. O Estatuto da Igualdade Racial, quando questiona o ensino da história do povo negro na África e no Brasil é uma assertiva ideológica, antigamente efetivada pelos Festivais de Música dos blocos negros com temáticas e escolhas de canções construídas para dar voz ao protesto contra a exclusão da raça negra e da cultura dos negros na sociedade baiana.

Evidentemente, estas construções não compreendiam um planejamento organizado pelas elites da raça negra baiana. Mas, era o trabalho, a escola rítmica a prover um porto seguro, um ancoradouro para os desvalidos. Não era possível perder “o trem da história”. Ainda que para alguns não foi extinta a escravidão, a libertação que temos é um sonho a ser desfrutado, levando a naus de libertação tantos outros ainda cativos pela indolência, pelas drogas, pela burrice, pelo embrutecimento, pelo medo de dar passos largos em direção ao podium e levantar-se; mas, o homem não se liberta sozinho.

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Caetano Barata – Poeta, ativista cultural em Simões Filho/Ba, Conselheiro do CEPA (http://www.cepabrasilba.org.br/). Pedagogo formado pela UNIME/Lauro de Freitas e estudante de Direito na UNIFASS/APOIO. Escreve em http://www.simoesfilhoemfoco.com.br

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