O negro não é maioria, o negro é excluído


escravos_1839-castigo-e1334089892107Quando a sociedade afirma ser de maioria negra, transforma este argumento para referendar a violência contra a juventude negra e a sua quantificação na população carcerária com efeito desta supremacia populacional. Mas, não é capaz de utilizar o mesmo argumento para inserir o cidadão negro nas lideranças dos postos de trabalho e, lhes dignificar o direito de educação, equiparação social, financeira e cultural. Entretanto, o negro não é maioria na faculdade, nos postos de chefia do primeiro e segundo escalão, na Câmara, nem no Senado, e, principalmente nas Instâncias Federais, muito menos ainda, no Supremo.

Em punir os pobres: a nova gestão da miséria nos Estados Unidos, Loic Wacquant afirma: “Longe dos debates acadêmicos sobre as missões da prisão – reinserir, punir ou neutralizar -, a preocupação primordial dos responsáveis por estas verdadeiras fábricas de prender é pragmática e funcional: “fazer circular” o fluxo inexaurível de acusados e detentos o mais rápido possível através do “sistema” a fim de minimizar os incidentes ligados ao amontoamento e à mistura de populações díspares e difíceis, senão hostis (notadamente entre elas mesmas)”. É primordial, ainda, repensar a efetiva vocação do sistema prisional como instrumento de Justiça, excluindo os obstáculos à precípua compreensão desta como mecânica de penitência (um princípio medieval) e execrar o seu caráter de vingança.

Ainda leciona o mesmo, citando John Irwin (1986), o encarceramento serve antes de tudo para “governar a ralé” que incomoda, bem mais do que para lutar contra os crimes de sangue cujo espectro frequenta as mídias e alimenta uma florescente indústria cultural do medo dos pobres. Evidentemente, não é incomum, a conclusão da sociedade de que a corrupção, a violência, a ignorância e a brutalidade são inerentes ao homem negro. Para além, a visão de revanche não deve prevalecer. Óbvio que a maioria negra vai assumir posição de controle e, este é o medo, esta é a chamada, não deixar virar este jogo.

A partir daí, a sociedade reflete a concepção de beleza para assumir postos de trabalhos e de liderança em todas as esferas sociais e políticas. Aduz a sociedade, também, ser a posse de bens conclusiva para a inexistência da necessidade de corrupção, movimentação e gosto pelo crime; principalmente, nestas perspectivas os de colarinho branco. E dizem: “O doutor é rico, não precisa roubar; o mequetrefe se chegar no poder vai roubar com os seus e para os deles…”. Não obstante, é inegável não ser assim.

Caetano Barata – Poeta, ativista cultural em Simões Filho/Ba, Conselheiro do CEPA. Pedagogo formado pela UNIME/Lauro de Freitas e estudante de Direito na UNIFASS/APOIO. Escreve em http://www.simoesfilhoemfoco.com.br e http://www.cepabrasilba.org.br

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