Autoafirmação da mulher negra na cultura é debatida na Bienal do Livro


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Akemi Nitahara – Repórter da Agência Brasil

Jovens e veteranas negras produtoras de cultura tiveram espaço hoje (4) na 17ª Bienal do Livro do Rio de Janeiro. No espaço Cubovoxes, o debate com jovens criadores abordou a questão da autoafirmação  negra, tratada no conto MC K-bela, de Yasmin Thainá, que deu origem ao filme curta-metragem Kbela.

Yasmin, que também dirige o filme, disse que o conto, publicado no primeiro livro da Festa Literária das Unidades de Polícia Pacificadora (Flupp) e posteriormente disponibilizado na internet, partiu de um sentimento comum às meninas negras com dificuldade em aceitar suas características naturais, por causa de tantas manifestações racistas que ouvem constantemente, inclusive na própria família.

O nome é uma integração entre as palavras cabelo e beleza. Já o filme, segundo a cineasta, é uma extensão do projeto, idealizado depois das centenas de depoimentos recebidos de mulheres negras de todo o país.

“São reflexões sobre as situações que as mulheres negras estão vivendo em suas vidas, a questão do cabelo de bombril, do racismo, de ser excluída das coisas. O Kbela reflete sobre esse momento em que a gente está gostando de ser a gente. A gente está segura de falar que somos mulheres negras, estamos produzindo novas narrativas nesse sentido, que a gente quer uma nova imagem sobre a gente, que a gente está gostando mais do nosso corpo. A gente está produzindo, empreendendo”, disse Yasmin.

A diretora de comunicação do Kbela, Silvana Bahia, destaca que o negro é lembrado sempre no carnaval, mas a produção cultural é feita durante todo o ano e em todas as vertentes artísticas. Para ela, as novas tecnologias de comunicação possibilitaram a maior visibilidade dessa produção.

“Como é ser negro na produção cultural fora do carnaval, sem a sexualidade que objetifica o corpo da mulher? É um desafio, e o que eu vejo de novidade nesse campo é que tem um monte de gente se organizando para fazer isso durante o ano inteiro, não só produção ligada ao negro, mas discutir mesmo que lugar é esse que a gente está, que lugar é esse que a gente ocupa? O que a gente pode inventar de novo? Eu acho que tem um movimento que já acontece há um tempo, mas hoje ele ganha mais visibilidade, talvez por conta das novas mídias, da tecnologia”.

O filme Kbela será lançado no próximo sábado, 12 de setembro, às 20h, no Cine Odeon, na Cinelândia, centro do Rio.

SarALL

Integrante do Coletivo Mulheres de Pedra, de Pedra de Guaratiba, zona oeste do Rio, Leila de Souza Neto, 60 anos, participou hoje do SarALL. O coletivo reúne mensalmente, há 15 anos, cerca de 15 mulheres para escrever e recitar poesia, discutir o feminismo negro, homenagear mulheres, discutir as vivências e trabalhar identidade cultural enquanto mulheres negras. Para Leila, a poesia é um instrumento de empoderamento da mulher negra na sociedade.

“Fortalece quando a gente se empodera dessa ferramenta que é a poesia e que, através dela, nós podemos falar mais, comunicar mais, expressar mais literalmente e estar em conexão com outros coletivos da periferia que estão fazendo o mesmo trabalho de empoderamento”, disse.

O Coletivo Mulheres de Pedra estará na mesa de discussão do SarALL no domingo, às 14h30.

Edição: Aécio Amado

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