De João Cândido a Rosa Parks: respeito à luta do povo negro


Se Rosa Parks não tivesse rejeitado se levantar nos ônibus americanos, nós estaríamos até hoje dormindo em estábulos. Se João Cândido não tivesse sido morto como culpado pela Revolta da rosa parksChibata com certeza a Marinha do Brasil não seria o que é hoje… E, nós temos que continuar essa guerra ideológica. Principalmente delatando as situações criminosas de preconceito racial ou injúria racial, seja ela, na mídia com artistas ou pessoas comuns. Estes fatos cominam a leitura do pensamento de Abdias do Nascimento:

[…] a tenaz persistência da cultura africana no Brasil e em outras partes da América do Sul não pode razoavelmente ser atribuída a uma suposta benevolência dos ário-latinos, nem ao caráter e cultura dos mesmos. Em qualquer caso, a falsa imagem de uma escravidão humanizada, benemérita, com certa “liberdade” tem sido atribuída ao Brasil como também à América Latina, de modo geral. Porém, não foram menos racistas nem menos cruéis do que sua contraparte ário-anglo-saxônica. Da mesma forma que nos Estados Unidos, também na América Latina ou do Sul, e no Brasil, não permitiam aos africanos a prática livre de seus costumes e tradições (Nascimento, 1980 p. 16).

Abdias quer nos dizer que não nos foi dado uma sociedade com garantias e direitos, antes nos deram deveres e obrigações. Para alguns não se deve reclamar lisura nos processos de oportunidade, respeito e ação de combate ao preconceito. Devemos sim, em respeito à memória de outros homens e mulheres que morreram para nos dar o legado da dignidade. Percorrendo um rápido passeio na história do Brasil encontramos João Candido a morrer para que fossem respeitados os marinheiros negros que tomavam CHIBATADAS como método disciplinar. Ler a pergunta: qual a importância da luta dos homens negros para nossa sociedade atual? Ou comparar um processo de discussão ideológica a “coitadismo” ou a “reclamar”, é no mínimo uma grande idiopatia. Já foi declinado por outros autores a instrumentalidade do estado brasileiro de enbranquiçamento ideológico, vide a leitura de O significado da Raça na sociedade Brasileira de Edwjoao-candidoard Peters. Abdias do Nascimento leciona:

Qualquer esforço por parte do afro-brasileiro esbarra neste obstáculo. A ele não se permite esclarecer-se e compreender a própria situação no contexto do país; isso significa, para as forças no poder, ameaça à segurança nacional, tentativa de desintegração da sociedade brasileira e unidade nacional (Nascimento, 1978 p. 78).

O e-social está aí. Vamos ver se nessa abafabanca do sai Dilma, atropelaram a vida de milhares de mulheres que sustentam suas famílias educando os filhos dos ricos. Ou vai ficar uma choradeira de pobre que paga 250 reais, quando paga numa empregada que faz tudo por um mísero pão. Se tivemos, conquistamos, com certeza, foi no esteio do suor, do sangue e das lágrimas de mais de 8 gerações de negros que foram sacrificados vivos para nós chegarmos aqui. Chegamos e somos pessoas humanas, não animais sem alma, como os hereges travestidos de cristãos dominaram o mundo com o aval de um bando de oportunistas carregando fardas com a cruz de malta como broquel.

O que não se pode contestar é a equação de Abdias, a qual, utilizarei como contraponto para permanecermos entrincheirados neste combate diário, secundário, terciário e primário:

A luta comum dos povos negros e africanos requer o conhecimento mútuo e uma compreensão recíproca que nos têm sido negados, além de outros motivos, pelas diferentes línguas que o opressor branco-europeu impôs sobre nós, através do monopólio dos meios de comunicação, do seu controle exclusivo dos recursos econômicos, das instituições educativas e culturais. Tudo isto tem permanecido a serviço da manutenção da supremacia racial branca. (NASCIMENTO, 1980 p. 16).

Não há como ficar inerte, silente, calado. Somos todos humanos, mas, alguns insistem em destilar seu ódio com brincadeiras, e às vezes, partido para seriamente.

Caetano Barata – Poeta, ativista cultural em Simões Filho/Ba, Conselheiro do CEPA. Pedagogo formado pela UNIME/Lauro de Freitas e estudante de Direito na UNIFASS/APOIO. Escreve emhttp://www.simoesfilhoemfoco.com.br ehttp://www.cepabrasilba.org.br

NASCIMENTO, Abdias do. O Genocídio do Negro Brasileiro. Rio de
Janeiro: Paz e Terra, 1978.

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