A cultura da violência contra gêneros


violencia contra a mulherA inclusão da Marcha Fúnebre em defesa da vida das mulheres em Simões Filho (19 de março), insere na agenda do município ação de diálogo com a sociedade frente a violência contra os gêneros e a mulher. Pensam de maneira reducionista aqueles a compreender a Marcha pelo viés da crítica às políticas públicas. Isto é, o governo apenas publica outdoor, beneficiando os parceiros, promovendo a reação: DISQUE 100 sem exercer estratégias educativas eficazes ao combate a estas violências.

A instituição da violência contra a mulher é legitimada na distribuição dos postos de trabalho, na diferença entre salários; na quantidade de mulheres que atuam por conta própria. O IBGE, a partir do Censo 2010, estimou a proporção de famílias que tinham a mulher como responsável em 37,3% em 2010. Em 2000, esse percentual estava em 22,2%. Essa situação era recorrente nas áreas urbanas (39,3%) do que no meio rural (24,8%); o IBGE em 2014 concluiu também que em 87,4% desses casos, a família é constituída pela mulher e por filhos, sem cônjuge. A aplicação do cruzamento destes dados confirmou que 30,3% das famílias que contam com filhos de até 5 anos de idade têm a mulher como responsável. Sendo Pugmil, em Tocantins, a cidade com mais mulheres responsáveis pelas famílias.

Dentro da perspectiva humana, a violência contra a mulher é tão sutilmente sustentada, partindo de “briga de marido e mulher não se mete a colher”, chegando a “ele (o homem, marido, companheiro) pode não saber por que bate, mas, ela com certeza sabe por que apanha. Reduzindo a concepção da violência contra a mulher ( a estupro), pensam: “Também, com uma roupa dessas, o que ela quer? ” Inserindo todo o tipo de violência no âmbito da violência física, sem levar em consideração a violência psicológica, a tortura, o assédio moral, a subjugação e a dominação social. São diversos preconceitos arraigados e a desconstrução destes depende primeiramente de nós, na sociedade como um todo, individualmente; segundo, da sociedade organizada, enquanto Estado realizando propostas em seminários, congressos, encontros nas comunidades, nas células religiosas, nas escolas e empresas levando a voz da necessidade do fim da subjugação da mulher e da dominação dos gêneros em suas diversidades.

As condições necessárias para a convivência correta entre os gêneros, já estão disciplinadas pelo Código Penal; o que se estabelece devido ao alto índice de violência atingidos no país é atenção ao fenômeno da violência. É inadiável, estudo geral e específico, dando ênfase a compreensão dos motivos pelos quais, as pessoas que são garantidores violam a proteção àqueles a quem deveriam proteger. Pode-se, obviamente, contestar os números, entretanto, a cultura machista é visível e legitimada na sociedade. Opine, faça, refaça, reaprenda a conviver. E lembre-se: Às vezes, alterar a voz é violência; e homem educado não é covarde, não é homem mole, e, não é mulherzinha.

Vamos respeitar a diversidade.

Caetano Barata – Poeta, ativista cultural em Simões Filho/Ba.

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