Arquivo da categoria: Artigos

Ex-presidiário e agora???


Convivemos numa estrutura cruel e desumana. Elitista, com uma estrutura de crescimento definida e obviamente, sem nenhuma contradição, ela é injusta. Como canta o rapper Mano Brown: “Caráter e personalidade mofando atrás das grades”. Um outro rapper, senão for o próprio, afirma: “Quem errou tem que pagar, se acertar, não estou aqui pra condenar ninguém nem pra defender”. Diante das análises da mentalidade humana ninguém está isento de ser criminoso, alguns afirmam até que em si cada um ser humano carrega sua ira contida, a ponto de explodir e num excesso cometer um crime.

Não há condições de se controlar o mal. E ninguém pense que seja possível, nem o próprio Deus tentou. Deixou-o ir na sua disposição. Quando um homem vai a júri e é condenado, o Estado o exclui da sociedade. Diante do seu retorno com o cumprimento de sua senteça, este cidadão retorna para o seio da sua família. Agora começam as implicações. Muitos não tiveram direito a família, foram abandonados por seus cônjuges. Rejeitados por seus pais e irmãos. Recentemente, abordando esse tema com um professor este me perguntou, sem nenhuma capacidade de pensar a estrutura da sociedade que faz parte: “Você já esteve preso, já teve algum parente preso, irmão, tio, pai?” Infelizmente, é assim que muitas vezes analisamos a conjuntura das dificuldades do outro, com um simples e morno: isto não é problema meu. Naturalmente, não dei importância a estupidez deste professor; faz parte dos ossos do ofício fazer um imbecil com título de doutor dar-se conta de sua ingenuidade intelectual. Em seguida, o mesmo me perguntou qual era a minha graduação. Ao que naturalmente respondi, abandonei a faculdade por faltarem condições de sustentar a escola gratuita que o governo me dava. E disse enfaticamente: conheço muitos mestres de primeiro grau incompleto. E às vezes, tenho vergonha de não ser tão sensível como eles.

A segunda mais básica, já cantaria Gonzaga Jr: “O homem sem trabalho, o homem não tem honra, se morre, se mata”. Conheci alguns mestres na arte do biscate, em algumas regiões biscate é mulher frívola, na Bahia é ausência de trabalho com carteira assinada. Dizem que um dos sintomas da atual crise mundial desemboca na estatística que afirma a existência de 1 desempregado em cada família americana. Ora, que diabo de crise é essa??? Sou brasileiro, desde pequeno cresci juntamente com pessoas que seguidas vezes diziam-se despedidos de seus biscates. E agora descobrem o mundo numa crise que já estamos há anos? É muito cinismo para justificar os desvios dos bilhões.

Quem empregaria um ex-presidiário, neste mundo de desemprego como desculpa das falências e degenerescências sócio-política e capitalista? Alguns empregariam. Raras almas dariam emprego aos tatuados das prisões. Com suas psicopatias sociais, com seus traumas. A melhor alusão ao presídio que posso deixar é a idéia de que se num dia de visitação acontecesse na prisão tudo que acontece durante toda a vida do apenado, um homem comum entenderia os sentimentos, desejos, decepções e certamente buscariam como ajudar um ex-presidiário a voltar a se sentir gente novamente.

Caetano Barata – Pedagogo, estudante de Direito

Anúncios

Somos uma sociedade em transição

Nos tempos líquidos de Bauman, seguem amores líquidos, relacionamentos virtuais, amizades virtuais. Nestas condições de tempo, esperas e aproximações, temos a considerar, o que há de real, sólido e indispensável nestes tempos? Ao que nos envia a uma questão, a nos parecer simples, entretanto, bem mais complexa do que podemos imaginar ou supor.

O que há de verdade em expressões como: “eu te amo”, “amigo”, “estamos juntos, quando der certo”? Por outro lado, ainda temos, o valor ou o preço em estabelecer “aproximações” baseadas na verdade. A verdade dá liga ou causa ruptura? Somos uma sociedade desfeita nessa transição. A verdade é para ser dita ou é para ser melindrada com elogios falaciosos e verdades falsificadas com opções dos desejos mais podres?
Muitas vezes, somos levados a admitir que preferimos a verdade das pessoas, mas, as pessoas se magoam com a nossa verdade ou com a verdade do seu próximo; elas preferem a escuridão das situações frágeis e toscas, à luz sobre a escuridão das situações perigosas. Se dissermos: “não ande com pessoas que dirigem embriagadas”; “não tire fotos no banheiro… algum descuido publicações indevidas”; “não ande com pessoas iracundas, elas se iram facilmente e incontroladas destroem a si e a muitos”… A audição é certa: “Você quer viver a minha vida?”; “Isto é invasão de privacidade”; “Isto é violação da intimidade alheia”. “Você é controlador”; “Sai, você é dominador”. Não, é bem assim?

Estas assertivas, elas são bem comuns. Pois, no mundo das futilidades, das relações “fastfood”, das relações líquidas… Atenção, cuidado, carinho, respeito e amor; não são admitidos como verdadeiros. A provisão emocional das pessoas está cheia de situações de abuso, sabotagem, melindres; onde o homem é visto com “abusador, melindroso, enganador, usurpador, explorador”; e para muitos homens: “as mulheres são apenas depósitos de secreções”.

Não atormentarei o leitor tentando impor meu pensamento ou concluir uma verdade em face desta temática, mas, precisa e necessária, a urgente leitura; a priori, sobre o que realmente desejamos para nós e nossa sociedade. E, em segundo plano, atenção para o que no final, nos perguntaremos: “de que é que estamos falando?”

Caetano Barata – Pedagogo, estudante de Direito.

A função da nossa comunicação

A nação brasileira vive um momento crucial na relação entre os instrumentos de comunicação e a comunicação da verdade para a sua sociedade. É uma grande lástima, apesar de existir exemplos envolvendo a nação americana e a nação russa de perfis fakes para manifestação de apoio aos candidatos dos interesses particulares de determinados grupos, como até hoje, ainda são divulgadas notícias na temática da última eleição americana vencida por Trump, não devemos seguir este deslise das Águia do Norte.

Não se deve, jamais, contrapor em analogia a sociedade da Europa e América com as outras nações. O conceito de sociedade desenvolvida, ética e outras necessárias construções pessoa/pessoa tão necessária para a formação de uma sociedade civilizada devem ser primados na redações e por seus pauteiros. São estes elementos que refletem nas estatísticas da violência no seu movimento mais caudaloso.

Nos Estados Unidos, os senadores democratas Mark Warner, da Virginia, e Amy Klobuchar, de Minnesota, criaram um perfil falso no Facebook e compraram anúncios para promover uma organização fictícia chamada “Americanos por Soluções para a Transparência”.
Os anúncios, que custaram o equivalente a R$ 120, foram vistos por cerca de 3 mil pessoas, entre jornalistas e servidores. O objetivo dos senadores era mostrar como é fácil disseminar informações falsas nas redes sociais – tática utilizada por agentes russos para influenciar as eleições americanas em 2016.

As empresas facebook, twiter e google, na pessoa de seus diretores, foram levados a depor sobre a existência de perfis fakes. Os executivos foram ouvidos no comitê judicial do Senado Americano, afirmando os esforços de grupos ligados ao Kremlin para influenciar no resultado das eleições de 2016 e dividir a sociedade americana com anúncios e conteúdos polêmicos.

A participação dos veículos de comunicação neste sentido é a promoção do conhecimento, de competências para entendimento, formação do conceito de bem, mal e outras questões internas à vida em comum. A existência de uma mídia incompetente, omissa e enferma em seu padrão, ferindo o juramento do comunicólogo, refletirá na sociedade como um todo. Uma nação forte e capaz de resistir as crises, intempéries e dificuldades nacionais e internacionais depende de um sistema de comunicação sem críticas elogiosas e comentários bajuladores. Mas, de uma mídia inteligente, fundada na verdade e destemida.

Caetano Barata – Poeta, ativista cultural em Simões Filho/Ba, Conselheiro do CEPA. Pedagogo formado pela UNIME/Lauro de Freitas e estudante de Direito na UNIFASS/APOIO.

Importante:

 1 – Conforme lei 9.610/98, que dispõe sobre direitos autorais, a reprodução parcial ou integral desta obra sem autorização prévia e expressa do autor constitui ofensa aos seus direitos autorais (art. 29). Em caso de interesse, use o link localizado na parte superior direita da página para entrar em contato com o autor do texto.

2 – Entretanto, de acordo com a lei 9.610/98art. 46, não constitui ofensa aos direitos autorais a citação de passagens da obra para fins de estudo, crítica ou polêmica, na medida justificada para o fim a atingir, indicando-se o nome do autor (Caetano Barata) e a fonte www.caetanobarata.wordpress.com.