Um manifesto contra Darwin

A Miss Universo 2011, Leila Lopes, nos deu conteúdo para os últimos dias, na geração do raciocínio sobre preconceito e discriminação racial. Mas, não somos todos descendentes do primeiro homo símio? Não comemoramos o centenário darwniano? A Teoria da Evolução não está sobre as bases das teorias da Genética e conceitos da Biologia? Não é o homem descendente do macaco? A mim nada espanta o reconhecimento da beleza de uma mulher negra num mundo de maioria negra. Ainda existe de pé uma estátua no mundo chamada: Estátua da Liberdade…

Seria surpreendente um manifesto contra a teoria de Darwin; mas, os homens brancos não o fazem. A ideia de hegemonia, supremacia sobre o outro é o lenimento para a consciência coletiva amainar sua voraz contundência contrária aos roubos, morticínios e mal promovido em todo o universo pelo homem dito civilizado. Somos frutos de um mundo explorado e explorador, na sociedade escravocrata, há bem poucos anos atrás tentáculo e equilíbrio de quase todo o mundo, o escravo não possuía nome, seu nome era o sobrenome do proprietário; a Miss chama-se Leila da Costa Vieira Lopes.

A beleza, a inteligência, a força são conceitos subjetivos, cada um pode ter seu padrão pessoal ou cultural. Devemos considerar se somos conscientes desses reflexos ou se nossas ações e razões são efeitos subliminares da idealização dos interesses das invasões colonialistas antigas; tornar-se consciente de que não é apenas uma simples reação de racismo; mas essência de grande complexidade, implícita na dualidade bem/mal e sempre presente. Apesar de nós humanos já devêssemos ter superado a ideia de hegemonia branca, essa cultura ainda é imposta pelos reflexos históricos e em sua maioria, inconsciente, o que podemos afirmar com base na tese de Freud.

Palavras “claras”, elogiosas também servem como sutil preconceito. Elogiar as qualidades de um ser humano frisando sua origem, sua etnia, sua cultura é preconceito comum entre nós. Evidentemente, outras formas de preconceito caíram no esquecimento. Por que não chamamos dentista e fisioterapeuta de doutor; mas, chamamos o político de “doutor”? É incomum a compreensão desse preconceito invisível, baseado numa distorção impossível de ser detectada; a concepção real de doutor é de doutorado, especializado em um assunto, o que boa parte dos “doutores”, não é.

Os negros não precisam temer as reações opostas, o pior os negros passaram na escravidão. Se alguém não gosta do jeito, da forma de falar e pensar, não precisamos nos conformar, temos que avançar, ocupar espaço, afirmando na primeira pessoa nosso nome, nossa cor de pele; se não fosse importante uma cor de pele, os brancos não frisariam que são brancos e afirmariam que os negros são inferiores. Afirmam não serem racistas lembrando não haver encontrado negros honestos e dignos de respeito; assim cabe a nós nos afirmarmos e não declinarmos do direito de demonstrarmos que não é por que somos filhos de doméstica e pedreiro que seremos incapazes, fracos, substituíveis e desonestos.

Caetano Barata – Poeta, ativista cultural em Simões Filho, Conselheiro do CEPA. Pedagogo formado pela UNIME/Lauro de Freitas e estudante de Direito na UNIFASS/APOIO.

 

 

 

 

 

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